12º Domingo do Tempo Comum: Aclamamos a Cristo e sua Cruz

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E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc. 9, 20)

As solenidades celebradas nos domingos anteriores encerraram o tempo pascal e ao mesmo tempo nos reintroduziram na longa estrada do tempo comum. Tempolitúrgico este que nos convida a aprofundar nossa vocação de discípulos missionários através do convívio com Jesus Cristo. Para assegurar nossa permanência nesta estrada, a Palavra de Deus nos leva a concluir a necessidade de compreender quem de fato é Jesus e qual sua missão. E uma vez feita esta descoberta, a mesma Palavra nos indaga se estamos dispostos a trilhar o mesmo caminho percorrido por Cristo mesmo sabendo que ele nos conduzirá à cruz.

A primeira leitura (Zc 12,10-11; 13,1) apresenta-nos um profeta desconhecido cuja vida repleta de sofrimento, perseguição e aflição, tornou-se fonte abundante deconversão e purificação. Sua missão, que a princípio aparenta desembocar em um desastroso abismo, nos revela que uma vida de doação não é um caminho de fracasso, mas sim um manancial capaz de que gerar vida nova. As primeiras comunidades cristãs lançaram novas luzes sobre a figura deste misterioso profeta e o enxergaram como imagem do Messias, Jesus Cristo.

A segunda leitura (Gl 3,26-29) o Apóstolo Paulo escreve a comunidade dos Gálatas – que estavam tentando retornar ao julgo da lei de Moisés – recordando da condição oferecida a eles pelo Batismo. Uma vez tornados filhos e filhas de Deus, devem abraçar a cruz e renunciar ao orgulho (fonte de todo pecado) e percorrer o caminho cristão do amor e da doação da vida. Revestidos da graça de Cristo, livres das algemas do pecado e da morte, todos formam a família de Deus – sem qualquer diferença ou discriminação de raça, ou de sexo; todos são “filhos”, com igual direito quanto à herança (vida eterna), iguais em dignidade e herdeiros da vida em plenitude. O mundo ainda nos enxerga como pessoas que foram revestidas de Cristo?

O Evangelho (Lc 9,18-24), o evangelista Lucas nos recorda que para percorrer e permanecer no caminho com Cristo, é necessário conhecê-lo. Sendo assim a passagem que hoje meditamos traz-nos três importantes questionamentos: Quem é Jesus? Qual a sua missão? Estamos dispostos a permanecer no seguimento a Jesus e abraçar a cruz?

O evangelho inicia com a narração de um fato que identifica profundamente Jesus: um momento de oração. A oração é o lugar do encontro de Jesus com o Pai; é o seu momento de comunhão. Depois, Jesus indaga aos discípulos sobre como o povo em geral o identifica. A resposta oferecida, revela que para aqueles que não fizeram um encontro pessoal com ele, sua identidade e missão permanecem desconhecidas. O povo diante de seus feitos e suas palavras, enxerga Jesus como um dos grandes profetas do passado que poderia ter ressuscitado.

A pergunta é redirecionada para os discípulos; aqueles cujos últimos 3 anos foram percorridos e vivenciados ao lado de Cristo. A resposta de Pedro não é expressão apenas da sua fé pessoal; se trata da confissão de fé da comunidade; Pedro fala em nome dos discípulos. Afirmar que Jesus é o Messias é dizer que ele é aquele esperado para resgatar o povo de Deus e trazer-lhe a salvação da parte de Deus. Tal afirmação é sinal de uma crescente intimidade com Deus Pai, fruto da convivência com Jesus. Quem sou eu? Sou parte de uma numerosa multidão que confunde Jesus com outras pessoas? Já posso afirmar que Jesus é o Salvador como fruto da minha experiência de fé? Ou apenas como uma afirmação intelectual, eco do que ouvi de outras pessoas?

Todavia os discípulos precisam estar dispostos a viver as consequências desta resposta. Não é suficiente saber que Jesus Cristo é o Messias. É preciso aceitar o modo como Deus escolheu realizar sua missão salvadora. Missão esta que não será fruto de glórias humanas ou aclamações políticas; a libertação que Jesus trará tão pouco nascerá através do poder das armas, mas pelo amor e pelo dom da vida. E somente será verdadeiramente discípulos quem estiver disposto a aceitar a decisão de Jesus e quererrealizar de coração, de corpo e alma, esta missão.

Por isto, as palavras finais do evangelho são direcionadas aos discípulos de todas as épocas. Todos são convidados a seguir Jesus. Seguir Jesus com sua decisão e não com seus anseios humanos e individuais que nem sempre são os anseios de Deus. É Deus quem decide como realizar a salvação. Se eu decidi trilhar este caminho, meus pés e meu coração devem permanecer nos mesmos lugares onde estiveram os de Jesus. Tomemos como Ele a cruz do amor, da entrega e da renúncia de si mesmo e façamos da vida um dom. Isto não deve acontecer somente em meio as nossas celebrações, mas na vida diária (“tome a sua cruz todos os dias”). Desta forma, anunciamos ao mundo que nossa estrada não é outra senão a que leva ao calvário e depois ao sepulcro vazio.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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