10º Domingo do Tempo Comum: Somos discípulos e família do Redentor

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HOMILIA DO 10º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

SOMOS DISCÍPULOS E FAMÍLIA DO REDENTOR

“Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

O Tempo Comum é o ciclo favorável para aprofundar o entendimento da pessoa de Jesus e da sua missão. Por isso, o tema central deste domingo reflete sobre a identidade de Jesus e da comunhão que Ele deseja estabelecer com seus discípulos. Cristo não possui aliança com o demônio e com o poder do mal, sua missão revela uma profunda relação de obediência com Deus Pai e um desejo de tornar toda humanidade participante desta íntima relação como parte da sua família trinitária.

A Primeira Leitura (Gn 3,9-15) apresenta Deus dialogando com a humanidade depois da queda. A humanidade, culpada por transgredir o mandamento divino e abandonar o projeto divino, é reencontrada por Deus numa iniciativa de retomar os vínculos de amizade rompidos. Deus tenta conduzi-la pedagogicamente a assumir a responsabilidade e as consequências dos seus próprios atos. No entanto, o homem lança a culpa na companheira, e esta repassa-a à serpente. Todavia, Deus se compadece do ser humano, não o abandona ao próprio egoísmo e promete-lhe a vitória sobre o mal – simbolizada no esmagamento da cabeça da serpente. Aqui, surge o primeiro anúncio redentor – a humanidade será ferida ao longo da história e sofrerá – mas será vitoriosa pela fidelidade do Messias. Eis a sublime vocação humana: somos chamados a compreender o sentido da existência, a não colaborar com o mal, confiando na Graça para enfrentar e vencer as tentações do Maligno.

Na Segunda Leitura (2Cor 4,13-18-5,1), compreendemos que assim como aconteceu com Jesus Cristo, São Paulo passou por rejeições, calúnias e incompreensões na sua missão. Apesar disso, as tribulações não enfraqueceram o seu ardor missionário. Ele permaneceu com grande confiança em Deus e na vida eterna que irá receber. Duas atitudes guiam o ministério de Paulo: a certeza de que a Unidade com Jesus, na ressurreição, será infinitamente maior que as tribulações terrenas; e a comunhão com os cristãos a quem Ele anuncia o Evangelho de Jesus Cristo. A fé cristã deve manter-nos fixos na Graça, evitando perder-se no que é transitório, temporário, superficial. A expectativa da felicidade após a morte é assegurada pela fé na misericórdia de Deus, que a todos perdoa.

No Evangelho (Mc 3,20-35), Jesus demonstra que sua atividade messiânica não constitui aliança com o demônio, mas sim de libertação do poder do mal. Sua ação missionária constitui-se inegavelmente de fazer a vontade do Pai e construir um mundo que se baseie neste desejo de fazer a vontade de Deus.

Se àquela época o bem realizado por Jesus foi rejeitado, nas outras não foi diferente. Sempre existiram pessoas que confundiram o bem com o mal. Hoje, muitos consideram bom algo que é mau (a guerra, a pena de morte, a eutanásia, a intolerância, o aborto, o enriquecimento por meio da corrupção ou da injustiça etc) e como más coisas que são boas (a fraternidade, a compaixão, a justiça social, a tolerância, a castidade etc). Os exorcismos de Jesus são a prova da edificação do Reino de Deus e de que o mal será eliminado diante do poder e do senhorio de Cristo.

Por isso, surge o pecado sem perdão, o qual nada mais é do que atribuir ao mal aquilo que é obra redentora do Espírito Santo em Jesus Cristo. É sem perdão, porque Deus não pode nos perdoar quando o nosso orgulho se nega aceitar a sua Graça e Redenção. Não se trata de negar a infinita misericórdia sempre disposta tudo perdoar, mas perceber que nossa prepotência pode nos autoexcluir do perdão e da salvação.

A comunidade cristã, longe de buscar lugares privilegiados, deve abraçar a vontade do Pai e seguir o exemplo do Filho, permanecendo unida a Jesus com fortes laços comunitários e familiares. Da união com Jesus Cristo, vivendo a vontade do Pai, os cristãos recebem a força necessária para vencer o mal.

Fazer parte da família de Jesus: eis a vocação fundamental dos cristãos de todas as eras.  E fazem parte de sua família todos aqueles que, reunidos ao redor d’Ele, buscam fazer a vontade do Pai.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

 

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