INSTITUCIONAL

História

A Diocese de Crato foi criada em 20 de outubro de 1914, pelo Papa Bento XV, através da bula papal Catholicae Ecclesiae, sendo desmembrada do território da Diocese do Ceará (hoje Arquidiocese de Fortaleza). Sua sede é a Catedral de Nossa Senhora da Penha no município do Crato.

Ela situa-se no extremo sul do Estado do Ceará, limitando-se com as dioceses de Iguatu (Ceará), Cajazeiras (Paraíba), Afogados da Ingazeira e Petrolina (Pernambuco), Picos (Piauí). A sede da Diocese e algumas cidades situam-se no Vale do Cariri e Chapada do Araripe (área marcada pelo verde da vegetação, solo esponjoso calcáreo, camadas superiores do sub-solo de arenito, considerável número de fontes) e sertão que a circunda.

Sua abrangência territorial compreende os municípios de: Abaiara, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Aurora, Baixio, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Jadim, Jati, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Nova Olinda, Porteiras, Potengi, Penaforte, Salitre, Santana do Cariri, Tarrafas, Umari e Várzea Alegre.

Hoje possuímos 55 paróquias que estão organizadas em cinco Regiões Forâneas (I, II, III, IV e V) compreendendo uma superfície total de 17.648,4 km2, com uma população de 1.015.082 habitantes e densidade populacional 52,32 hab/ km2.

 

OS BISPOS

Dom Quintino, o primeiro bispo

O primeiro bispo de Crato fo Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, nascido em Quixeramobim, no Estado do Ceará, em 31 de outubro de 1863. Ele foi preconizado bispo em 10 de março de 1915 e recebeu a sagração episcopal em Salvador, Bahia, em 31 de outubro daquele ano. Em 1º de janeiro de 1916, na Catedral de Nossa Senhora da Penha, tomou posse do novo e honroso encargo.

Como primeiro bispo do Crato, além de priorizar as atividades espirituais, Dom Quintino foi o homem das grandes realizações que modificaram o cenário social e econômico do Cariri. Organizou, em primeiro lugar, a Cúria Diocesana, deixando-a apta a um bom funcionamento. Já no dia 1º de abril de 1916, reabriu o antigo Ginásio São José, agora com o nome de Ginásio Diocesano, destinado à educação da juventude masculina. Criou, em 1921, a primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que prestou grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região, da qual ele foi o primeiro presidente.

Fundou, em 1922, o Seminário Episcopal do Crato destinado à formação do clero. Criando o Seminário de Crato, Dom Quintino tornou-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto, no recuado ano de 1922, o educandário da diocese cratense iniciou suas atividades com o Seminário Menor e o Seminário Maior, ou seja, com o curso preparatório e o Curso Teológico. Este último subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos e Curso de Teologia, em quatro anos, findos os quais o futuro presbítero recebia a licenciatura plena. Dom Quintino plantou, assim, a semente que viria a germinar, cinco décadas depois, a Faculdade de Filosofia do Crato que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri – URCA.

Fundou ainda, Dom Quintino, o jornal “A Região” que circulava em toda a diocese, bem como o “Boletim Eclesiástico” destinado à orientação do clero. A nova diocese de Crato teve início com vinte e uma paróquias. Dom Quintino criou mais cinco paróquias e ordenou treze sacerdotes. Criou, simultaneamente, em 1923: o Colégio Santa Teresa de Jesus, destinado à educação da juventude feminina, e a Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus, que viria a se espalhar por diversos Estados nordestinos, chegando a possuir casas no Estado de São Paulo.

Após quatorze anos de profícuo episcopado, Dom Quintino faleceu no dia 28 de dezembro de 1929, e foi sepultado no cemitério público local. Seus ossos, posteriormente, foram transladados para a Catedral de Nossa Senhora da Penha. Lá, na Capela da Ressurreição, seus venerandos restos mortais dormem o sono da paz, à espera da ressurreição final.

Dom Francisco, o segundo bispo

Após o falecimento de Dom Quintino, a diocese esperou dois anos e dez dias pela posse do seu segundo bispo, Dom Francisco de Assis Pires. Este nasceu em Salvador, capital da Bahia, no dia 04 de outubro de 1880 e foi ordenado sacerdote em 14 de abril de 1903. Assumiu o bispado de Crato no dia 10 de janeiro de 1932, ano de terrível seca que assolou todo o Nordeste.

Durante o seu longo episcopado de quase vinte e sete anos, Dom Francisco ordenou quarenta e sete sacerdotes e criou nove paróquias elevando para 35 o número de paróquias da diocese. Criou e construiu o Hospital São Francisco de Assis, o pioneiro no sul do Ceará. Modernizou a tipografia adquirida por Dom Quintino e fundou um novo jornal diocesano “A Ação”. Valorizou o movimento de leigos criando e apoiando a Ação Católica Diocesana.

Oriundo de família abastada da Bahia, Dom Francisco ficou conhecido pelo seu desprendimento para com os bens materiais e pela caridade que praticava junto aos mais pobres. A vultosa herança que recebeu do espólio do seu pai empregou-a na construção do Palácio Episcopal. Adquiriu o imóvel e direitos do Ginásio de Crato, transformando-o numa instituição de ensino diocesana.

Construiu o Patronato Padre Ibiapina, instituição destinada ao ensino e formação de moças pobres. Fundou e construiu o Liceu Diocesano de Artes e Ofícios destinado ao ensino de garotos e jovens pobres da periferia de Crato. Encetou campanha para a conclusão da igreja de São Vicente Ferrer (hoje Santuário Eucarístico Diocesano) e para construção da igrejinha de São Francisco de Assis, no bairro Pinto Madeira, ambas em Crato. Foi dele, também, a iniciativa de construção do majestoso santuário de São Francisco das Chagas, em Juazeiro do Norte.

Devido aos problemas de saúde que a velhice lhe trouxera, Dom Francisco solicitou à Santa Sé um bispo-auxiliar para coadjuvá-lo. Foi atendido no dia 26 de abril de 1955, com a nomeação, pelo Papa Pio XII, do virtuoso padre Vicente de Paulo Araújo Matos – do clero da Arquidiocese de Fortaleza – que recebeu o título de bispo titular de Antiophia em Meandro e Auxiliar de Crato.
Dom Francisco, vencido pelo peso dos anos, renunciou às funções episcopais em 24 de outubro de 1959, sendo agraciado pela Santa Sé – em reconhecimento ao seu grande trabalho – com o título de Arcebispo Titular de Antioquia da Pisídia. Faleceu no dia 11 de fevereiro de 1960 e encontra-se sepultado na Capela da Ressureição da Catedral de Crato.

Dom Vicente, o terceiro bispo

Dom Vicente de Paulo Araújo Matos nasceu na cidade de Itapagé, Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 29 de novembro de 1942. A nomeação episcopal, em 1955, veio encontrá-lo como diretor do Colégio Arquidiocesano de Fortaleza, conhecido como Colégio Castelo. Residindo na Diocese de Crato desde 15 de agosto de 1955, quando aqui chegou como bispo-auxiliar de Dom Francisco, Dom Vicente foi escolhido terceiro Bispo Diocesano de Crato em 28 de janeiro de 1961, pelo Papa João XXIII. Tomou posse na função no dia 19 de março do mesmo ano.

Homem dinâmico e empreendedor foi um pastor prudente, zeloso e deixou vasta folha de serviço prestada à Diocese de Crato. Criou dezoito paróquias e ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato embrião da Universidade Regional do Cariri.

Foram iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Grangeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde, além da atual Faculdade Católica do Cariri. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e Colégio Pequeno Príncipe; a Escola de Líderes Rurais; Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre outras iniciativas.

Dom Vicente foi bispo-auxiliar durante cinco anos; após a renúncia de Dom Francisco foi administrador diocesano um ano e cinco meses e bispo diocesano de Crato durante vinte e um anos, perfazendo quase trinta e sete anos de bons serviços prestados à diocese de Crato. Renunciou ao bispado, por motivo de saúde, em 01 de junho de 1992 e faleceu no dia 06 de dezembro de 1998. É considerado o maior benfeitor da cidade de Crato. Foi sepultado na Capela da Ressurreição da Catedral de Crato.

Dom Newton, o quarto bispo

Nascido na cidade de Acopiara, Ceará, em 01 de novembro de 1923, Dom Newton Holanda Gurgel recebeu a ordenação sacerdotal em 17 de dezembro de 1949. Foi reitor do Seminário São José de Crato e a nomeação como bispo-auxiliar de Crato veio encontrá-lo como pároco na cidade de Campos Sales. Recebeu a ordenação episcopal na cidade de Roma, em 27 de maio de 1979, das mãos do Papa João Paulo II, hoje Santo da Igreja Católica.

Dom Newton foi bispo-auxiliar até 17 de novembro de 1993, data da sua nomeação como quarto bispo diocesano de Crato. Antes, devido à renúncia de Dom Vicente, foi administrador diocesano de 01 de junho de 1992 até 16 de novembro de 1993.

Homem simples, dotado de inteligência prática, deve-se a Dom Newton a reabertura, em 1994, do Seminário São José de Crato. A partir daí, a diocese que sofria a carência de vocações religiosas passou a ser um celeiro de sacerdotes, a ponto de hoje a Diocese de Crato ter enviado um sacerdote como missionário na Amazônia.

Nos dias atuais o Seminário São José de Crato forma sacerdotes para cinco dioceses: Crato e Iguatu, no Ceará, Cajazeiras (Paraíba), Salgueiro e Petrolina, ambas localizadas em Pernambuco.

Dom Newton ordenou vinte e oito sacerdotes e criou, durante o seu episcopado de oito anos e meio, quatro paróquias. Em 02 de maio de 2001 teve aceitado seu pedido de renúncia em conformidade com o cânon 401§ 1 do Código de Direito Canônico (motivo de idade). Permaneceu como administrador diocesano até 29 de junho de 2001. A partir daí, na condição de bispo-emérito, Dom Newton se recolheu a sua residência particular no bairro São Miguel em Crato, onde atendia pessoas para confissões e orientações, com espírito acolhedor e sempre bem humorado. Dotado de lucidez e vitalidade impressionantes foi um homem piedoso que prosseguiu na sua missão evangelizadora iniciada no já distante ano de 1949.

Dom Newton faleceu no dia 6 de abril de 2017, aos 93 anos, vítima de insuficiência respiratória e falência múltipla dos órgãos. Seus restos mortais foram colocados na Capela da Ressurreição, dentro da Catedral Nossa Senhora da Penha, ao lado dos três primeiros bispos da diocese de Crato e do monsenhor Vitaliano Matioli.