Dia de oração pela vocação dos (as) catequistas

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Irmãos e irmãs, a liturgia deste domingo é uma continuação do domingo passado. Como resposta à profissão de fé de Pedro e da Comunidade Cristã (Igreja), Jesus inicia o anúncio de sua Paixão e começa a apresentar o caminho da Cruz, explicando aos discípulos o verdadeiro sentido do seu messianismo e da sua filiação divina. Assim, sua comunidade compreende que a vida verdadeira e plena que Deus nos oferece passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

A missão de Jesus Cristo já completava quase três anos. As multidões que O seguiam ficaram para trás e os líderes políticos/religiosos decidiram rejeitá-lo. Aqueles que continuam a acompanhar Jesus, tornam-se o grupo definitivo dos discípulos. Eles acreditam que Jesus é o “Messias, Filho de Deus” e querem partilhar o seu destino de glória e de triunfo. Jesus começa, então, a explicar que a sua missão não passa por triunfos e sucessos humanos, mas pela cruz (cf. Mt 16,21-17,21) e ensina que viver como discípulo é seguir um caminho de entrega e de oferta do dom da vida (cf. Mt 17,22-27).

O Evangelho de hoje pode ser dividido em duas partes: Na primeira, Jesus anuncia aos discípulos a Sua Paixão. A proposta do Reino de Deus foi rejeitada pelas multidões e pelos líderes judeus. No entanto, Jesus não desiste de sua missão e anuncia que pretende realizar até o fim os planos do Pai, mesmo que para isso seja necessário morrer. Pedro se opõe a este caminho. A afirmação de Pedro e dos discípulos significa que a sua compreensão da missão de Jesus ainda é muito imperfeita. Para ele, a missão do “Messias, Filho de Deus” é uma missão gloriosa e triunfante e na lógica de Pedro (que é o pensamento do mundo) a vitória não pode estar na cruz e na oferta da vida. A essa ilusão de poder, Jesus responde com dureza, pois é preciso que os discípulos corrijam essa visão. O plano de Deus não passa por triunfos humanos, nem por planos de poder e de domínio. As palavras de Pedro pretendem desviar Jesus do cumprimento dos planos de Deus Pai, e Jesus não está disposto a acolher com qualquer proposta que o impeça de realizar, com amor e fidelidade, os projetos do Reino.

Na segunda parte, o Mestre apresenta uma catequese sobre o sentido e as consequências do discipulado. Jesus é direto e incisivo. Quem quiser viver a vontade de Deus e ser Seu discípulo, precisa “renunciar a si mesmo”, “tomar a cruz” e segui-Lo no caminho do amor, da entrega e da misericórdia.

Como prova disso, encontramos a vocação e a missão do profeta Jeremias na Primeira Leitura. Ele, um profeta de Israel, descreve a sua experiência de “cruz”. Chamado por Deus, Jeremias colocou toda a sua vida ao seu serviço. Na sua missão de profeta, teve que enfrentar os poderosos e lutar contra a lógica do mundo. Conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição. É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Deus no seu coração e vivem com coerência sua fé e se atrevem a colaborar com os planos de Salvação. A Palavra de Deus é um fogo abrasador, uma força irresistível que consome o coração do profeta e que não permite a ele desistir da missão ou fugir para uma vida acomodada. Ao profeta, resta permanecer no serviço da Palavra, não desistir diante da solidão e do sofrimento, vivendo na esperança de reencontrar e de ser sustentado pelo amor de Deus, ao longo da missão, que um dia o seduziu e o despertou.

De fato, quem desejar encontrar o Senhor na glória da ressurreição deve decidir segui-Lo em todos os momentos de Sua Vida e isso inclui subir com Ele o caminho do Calvário e abraçar a Cruz. É por isso que São Paulo, na Segunda Leitura, convida os cristãos a fazerem um oferecimento diário de suas vidas a Deus, pois esse é o sacrifício que Ele prefere. De acordo com Paulo, quando não aceitamos a lógica egoísta, individualista e materialista do mundo aprendemos a discernir os planos de Deus e a viver nossa fé de forma coerente. O verdadeiro culto espiritual para o apóstolo está na nossa relação com Deus, com os outros homens e com o mundo. Essa relação deve fazer o cristão renunciar aos caminhos do egoísmo, do orgulho, da injustiça e do pecado, e a realizar uma mudança de coração (conversão pastoral, pessoal e comunitária), de mentalidade e de inteligência, que ajude ao homem discernir qual é a vontade de Deus e assim percorrer, com fidelidade, os seus caminhos.

Eis o sentido de “renunciar a si mesmo”. É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo dominem nossa vida. O discípulo/missionário não vive fechado no seu mundo, indiferente aos acontecimentos à sua volta, insensível às necessidades e sofrimentos dos irmãos, mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço ao próximo. “Tomar a cruz” é amar sem limites. Ser discípulo é estar disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam livres e felizes. O cristão não deve ter medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a perseguição, a tortura e a morte.

Neste domingo, agradeçamos a Deus vocação e missão dos (as) Catequistas de todos os tempos. Mesmo em meio à perseguição, à ingratidão e à incompreensão, eles e elas permaneceram fiéis em sua missão, e essa decisão vital fez com que o Evangelho chegasse até nós hoje.

Rezemos: Senhor, diante de Ti, venho me prostrar. No teu gesto de amor e doação, venho aprender o que é realmente amar! Olhando e orando diante da tua cruz, contemplo toda a humanidade, principalmente aqueles que ainda hoje sofrem as consequências do egoísmo e da indiferença humana. Senhor Jesus, que pelo mistério da cruz remistes o mundo, fazei frutificar em boas obras a vida de todos que contemplarem esta cruz. Vós que viveis com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Mangabeira.

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