Solenidade de Pentecostes: “Cada um é dada a manifestação do Espírito”

O evangelho de hoje relata algumas atitudes de Jesus, as quais fazem pensar sobre como deve ser a vida e a missão de seus discípulos. Temos exposto na palavra evangélica desta liturgia a missão da Igreja. Antes de tudo, a aparição do Crucificado aos seus não é procurada, mas é iniciativa do próprio Cristo. Nunca se deve busca-lo em espetaculares manifestações. Por isso, a celebração eucarística deve acontecer em um clima de serenidade, uma conjunção de paz e alegria. Estes são os dons por excelência da presença do Salvador.

Ao entrar, Jesus se põe no meio deles para comunicar a centralidade de sua pessoa à comunidade de fé. Ele está no meio de nós a nos oferecer a paz e os discípulos devem reagir com alegria. É a presença d’Ele que faz com que todos superem o medo causado pelo mundo, o qual impede a sair pelo caminho por causa da cumplicidade de alguns corações atribulados ou apegados às coisas mundanas, ou ainda, presos a uma preocupação consigo mesmo. A paz e a alegria derrotam o medo quando se contempla a realidade do Ressuscitado.

No entanto, não se deve olhar para Cristo Jesus com espírito triunfalista, mas na realidade de sua crucifixão. Ele lhes mostra as mãos e lado exatamente para que seus discípulos, primeiro, reconheçam-no: é o mesmo Jesus da cruz. E, em segundo lugar, percebam a responsabilidade do seguimento e entrega ao projeto do Reinado do Pai. E, além disso tudo, proclama que a nossa carne (o ser humano) não é destruída, mas transformada.

A partir dessa experiência, os discípulos são enviados. Percebamos que a ação do Espírito Santo, até agora, foi calma e silenciosa. De fato, Jesus já tinha dado o seu Espírito quando estava pregado à cruz. Somos agora enviados para bater às portas dos corações e lhes anunciar a salvação – a plena vida na liberdade. O lugar da missão é indeterminado. Não é definido a quem se deve anunciar. Porque a Igreja, Povo de Deus a caminho, deve sair de suas falsas seguranças (as portas fechadas revelam o medo de ser confrontada com o mundo real) e ver que a missão não conhece limites, divisas e fronteiras. O discipulado deve continuar a missão que Cristo recebera de Deus. Se as obras de Cristo fazem estar presente o Pai, pela atividade apostólica, os discípulos tornam presente o Senhor Jesus.

Isso acontece quando Jesus sopra sobre seus discípulos, para que eles recebam o Espírito Santo. Embora João não tenha dado definição sobre o lugar ou os destinatários da missão, deixa bastante claro qual é a essência dessa missão: o perdão dos pecados. Os discípulos devem se inspirar para proclamar o perdão e a reconciliação do pecador. A mensagem proclama e revela a intenção de salvação de Deus. O sopro recorda a criação. E em Cristo, significa o começo de uma humanidade renovada. Por meio desse sopro recriador, Deus retira o homem do pecado e da morte, também restaura a comunidade dos apóstolos, alicerce da nossa fé, a fim de enviá-la em missão. E eis como conhecemos a Cristo Jesus, Senhor Nosso.

O pecado, infelizmente, pode encobrir a chama acesa do Espírito de Deus em nós quando tornamos a palavra de Cristo incapaz de agir no nosso íntimo. É a incompreensão da palavra de Jesus, segundo João, a causa fundante do pecado no mundo e nas pessoas. É não aceitar a verdade do Filho da Virgem Maria. Em suma, é a recusa à verdade do amor manifestado em Cristo.

Por: Padre George de Brito, Mestre em Teologia Dogmática e Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora dos Milagres, em Milagres.

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