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Sois Jardim de Graça, Virgem Gloriosa!

Na primavera de Maio, desabrocha-se a Flor mais Bela que a humanidade pode contemplar. E a Igreja permite-nos sentir o seu perfume de uma maneira particular, pois jamais se viu um cristão autêntico que não tenha por sua Mãe um filial sentimento de pertença e devoção.

Desde minha tenra idade pude contemplar os mistérios do santo terço sob a orientação da minha avó, que com ternura me apresentou Maria como minha mãe e protetora. Recordo os joelhos dobrados diante de um modesto altar com numerosas imagens, sendo que, na parede, um vistoso quadro do Imaculado Coração me fitava e parecia sorrir para mim. Com as velas acesas  começávamos a “debulhar” as continhas de luz. Ao terminar a Salve Rainha, iniciava-se a Ladainha de Nossa Senhora em Latim. Vovó fazia as invocações e nós respondíamos “ora pro nobis”, palavras não compreendidas por uma mente de criança, mas que hoje percebo o quanto repeti-las me favoreceu o espírito.

Ao chegar maio, o terço era substituído pela oração do devocionário a Nossa Senhora. Um livro antigo, de linguajar obsoleto, mas de profundos ensinamentos. Em um caderno preenchido com letras tremulas de piedade encontrávamos as cantigas para o final das orações. Gostava de uma em particular que dizia: “Sois Jardim de Graça, Virgem Gloriosa, sois do Paraíso a mais linda rosa.”. Ah! Estas palavras melodiosas adentravam meu coração como uma luz e fazia cócegas em minha alma.

Última noite do bendito mês e já cantávamos “um eterno adeus de saudade te damos hoje os filhos teus. Adeus, ó Mãe de Bondade, Rainha do céu adeus.”. Vestida numa túnica, junto a minha irmã, ornávamos a fronte da imagem com uma coroa. Era muito especial aquele momento. A euforia da infância deu lugar aos significados dados pela adolescência, quando subi no altar para ser “anjo da Igreja”. A voz tinha que estar afinada, a coreografia era passada e repassada até ficar gravada na mente e era obrigado manter uma elegante postura. Que perfeição! Verdadeiros anjos! O sentido? Não havia outro. Era Maria! Tudo  por ela e para ela.

Porém, as fases da vida são cheias de altos e baixos. Parafraseando Padre Zezinho, fui crescendo e esquecendo as devoções, perdendo o costume da criança inocente, de rezar não tinha muita vontade. Mas, benditas sejam as avós que não desistem de encaminhar seus netos para Deus. Mesmo muitas vezes com pouca coragem para a oração, o terço todas as noites estava em minhas mãos. E nessa perseverança descobri a preciosidade da Mãe de Deus e nossa. Descobri que repetir as saudações a ela lhe consola o coração e se estende por sobre a terra as suas graças. Descobri que, como filha da Igreja, preciso amar a minha Mãe e ter com ela uma sintonia que me conecte a Deus. Descobri que Deus se agrada muito de quem observa as virtudes de Maria e as coloca em prática, pois depois de Jesus ela é o maior exemplo de obediência e humildade que passou sobre a terra. E, por fim, no término dos nossos dias, teremos como advogada aquela que é capaz de abrir as portas do céu com apenas um olhar de clemencia, pois Deus não resiste aos pedidos que Maria faz por quem a ela se confia.

Ó Maria concebida, sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Por: Bruna Pereira, paroquiana de Santo Antônio, em Jardim e fiel devota de Nossa Senhora 

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