Serva de Deus, Benigna Cardoso, agora é símbolo de combate ao ‘Feminícidio’ no Ceará

Por causa do testemunho de fé da jovem Benigna Cardoso, de Santana do Cariri, que tomou decisão muito corajosa em sua vida – encarou golpes de facões para não ter o corpo maculado – a Igreja Católica, reconhecendo tão grandioso gesto, tornou-a “Serva de Deus”. Agora, a jovem dá visibilidade, também, à violência sistemática a que as mulheres estão sujeitas no Ceará, de maneira mais alarmante: o feminicídio.

A decisão, aprovada por unanimidade nesta terça-feira (07/05), é da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE). O Projeto de Lei torna o dia 24 de Outubro, Dia Oficial de Luta contra o ‘Feminicídio’ no Estado. A data faz alusão ao assassinado de Benigna, quando esta se dirigia a um poço, para apanhar água, e foi abordada por um rapaz, em 1941.

Sessão na AL nesta terça, dia 07. Foto: Reprodução

O Ceará é o segundo estado (atrás, apenas, de São Paulo) onde mais se mata mulheres no Brasil. Trinta feminicídios entre janeiro de 2018 e março deste ano foram registrados, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Feminicídio é a palavra usada para descrever o assassinato de mulheres por razões da condição do sexo feminino, qualificando o ato como homicídio e o enquadrando no rol de crimes hediondos. Em 2015, foi sancionada a Lei do Feminicídio no Brasil.

Este é o terceiro projeto de Lei da AL relacionado à jovem Benigna. Ele foi aprovado por unanimidade. Outros dois seguem em tramitação e podem ser votados em breve: a Romaria em homenagem a ela (de 15 a 24 de outubro), que pode entrar para o Calendário Oficial de Eventos do Estado e a Romaria, que pode ser declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado.

Para Ypsilon Félix, co-autor da biografia “Benigna, um lírio no Sertão Cearense”, o projeto de lei da AL é “uma justa homenagem, pois Benigna resistiu no século passado e sua história persiste entre nós de forma expressiva e atualizadíssima, um verdadeiro modelo para as mulheres e que reforça o anseio de nossa Igreja na luta em defesa da vida”.

Félix também participou da comissão, formada por membros da Igreja de Crato, que enviou a Roma o processo para tornar Benigna santa. A fase diocesana do processo foi encerrada em 2013 e entregue à Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, por intermédio do postulador, monsenhor Vitailiano Mattioli, falecido em dezembro de 2014. A ela já fora atribuído o título de “Serva de Deus”. Se aprovado o procedimento, a jovem será a quarta brasileira com o título de beata, depois de Nhá Chica, Padre Victor e Dom Othon Motta.

Por: Patrícia Mirelly

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar seu comentário

Redes Sociais

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!