Em missão. (Foto: Reprodução)

Seminaristas, em missão de férias, anunciando o reino de Deus

Os 56 seminaristas da diocese de Crato realizam, desde o dia 3 de janeiro, a missão de férias que acontece até amanhã, dia 13. Sobre isso, o seminarista Adolfo Lima escreveu um artigo com o título “Evangelizar: Vocação e Missão da Igreja”, onde fala sobre a experiência missionária adquirida nestes dias. Leia:

Evangelizar: Vocação e Missão da Igreja

 Eu não quero uma Igreja tranquila. Quero uma Igreja missionária”  

(Papa Francisco)

A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que sua origem fora por meio da missão evangelizadora dos Apóstolos, segundo o designo de Deus Pai, na “missão” do Filho e do Espírito Santo. Por isso que a missão da Igreja está centrada no anúncio do evangelho e do envio, pois assim o Senhor mandou: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batiza-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi.” (Mt 28, 19-20)

Esse envio justifica e nos motiva a evangelizarmos e anunciarmos a todos os povos e nações o mandato do Senhor. O motivo primordial da Igreja é e sempre será o mandato evangelizador que Jesus Cristo deu aos seus Apóstolos e aos discípulos no termo de sua existência terrena. Esta missão evangelizadora tem como foco chamar ao homem a participar do amor que “brota” do peito aberto do Deus-Filho, que por total despojamento de si mesmo, amou imensamente o homem até o fim, derramando desta forma todo o seu sangue para nos resgatar da culpa original cometida pelo primeiro Adão.

O Cristo, antes de subir ao céu (At 1, 11) fundou a sua Igreja como sacramento da salvação e enviou os Apóstolos ao mundo para o anúncio do reino de Deus na história humana, pois Deus veio visitar e habitar entre os homens. Por isso a Igreja procurou tomar consciência de sua natureza evangelizadora como propagadora do evangelho D’aquele que é a cabeça da Igreja e da qual nós somos os seus membros (I Cor 12, 27). A finalidade da ação evangelizadora da Igreja é tornar Deus plenamente glorificado por meio de seu Filho, Jesus Cristo, sob a ação santificante do Espírito Santo, no intuito de tornar o homem consciente a obra de salvação confiada pelo Cristo à sua Igreja.

A evangelização exprime a identidade da Igreja, a sua natureza, a sua vocação própria dentre os homens, sua missão essencial: “A missão da Igreja realiza-se, pois, mediante a operação pela qual, em obediência ao mandamento de Cristo e aos impulsos da graça e da caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo.” (Ad Gentes, p. 14). A missão acontece a partir do momento em que nos colocamos na escuta atenta dos apelos de Deus neste momento que nos é dado viver. Fundada e enviada pelo próprio Cristo a manifestar e a comunicar a todos os homens e povos a caridade de Deus, a Igreja reconhece a necessidade de propagar a obra missionária em um mundo tão relativista e egocentrista.

À medida em que vamos avançando no terceiro milênio, tomamos consciência da urgência de desdobrar ainda mais a missão evangelizadora. Urge proclamar com todas as nossas forças o Evangelho da Vida, num grito ético-profético em favor da mesma, pois Deus nos chama à vida, urge criar uma cultura que ame a vida, e não uma cultura que cultue a morte: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude” (Jo 10, 10).

Ao pregar o evangelho, nos tonamos anunciadores da Vida, anunciadores da Esperança, do verdadeiro Caminho que é Cristo Jesus (Jo 14, 6). No anúncio missionário, nos tornamos participadores das alegrias e das dores do outro, passamos a conhecer suas aspirações e problemas com os quais se depara diariamente. Àqueles que buscam a paz deseja responder com diálogo fraterno a um mundo tão permeado por guerras e sofrimentos humanos, na busca de semear a paz e a luz do Evangelho, se tornam verdadeiros anunciadores e semeadores do evangelho de Cristo Jesus.

 

Vivendo um período de missão, nossa diocese de Crato se alegra com este tempo tão frutuoso e importante na formação dos futuros padres da nossa Igreja particular. Como bem nos disse Dom Gilberto na missa de abertura da missão de férias dos seminaristas: “A melhor pastoral de férias é aquela que nos colocamos à escuta do povo de Deus, é nela que percebemos a manifestação do reino de Deus aos nossos olhos”. No término de nossa missão, certamente levaremos conosco muitos aprendizados e muitas pessoas que farão parte da nossa via, pois a melhor missão de férias é aquela em que construímos verdadeiras amizades, que deixamos ser permeados pela simplicidade do povo de Deus e por uma devoção tão simples, mas cheia de fé e confiança, algo que nem sempre os livros podem nos ensinar. Ouso dizer que para fazermos uma boa missão é necessário sairmos do nosso comodismo e irmos ao encontro do outro, é aprendermos a partilhar da nossa vida, embora seja pouco, mas a partilha nos torna mais próximos e nos assemelha a Jesus Cristo.

O Espírito Santo, que chama a todos os homens a Cristo pelas sementes do Verbo e pela pregação do Evangelho e produz nos corações destes a submissão da fé, busca reunir todos em uma só fé e em um só batismo, buscando assim com que façam parte da “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido” (1 Pd 2, 9). Buscando anunciar desta forma o Evangelho aos povos, devemos conhecer profundamente aquele que anunciamos, conhecendo e anunciando em cada parada, em cada casa, em cada família, em cada sorriso, em cada sofrimento, em todos estes momentos Cristo se faz presente e se da a conhecer a todos nós, basta estarmos atentos aos detalhes deste anúncio e desta missão. Não podemos nos envergonhar do escândalo da cruz de Cristo, pois a missão evangelizadora é seguir os passos do mestre, que é manso e humilde de coração, mostrando assim que o seu jugo é suave e leve é a sua carga (Mt 11, 29). Como o Bom Samaritano, não nos envergonhemos de tocar as misérias e as feridas do povo de Deus, daqueles que sofrem e buscam uma palavra de consolo e de esperança, procuremos curá-las com gestos concretos de amor. Não devemos nos envergonhar da bondade e da ternura.

Com mente aberta e coração dilatado, vamos ao encontro do outro, abraçando de boa vontade os trabalhos que a nós é confiado, adaptando-nos também generosamente aos diversos costumes e variadas condições dos povos, num espírito concorde e mútua caridade, na busca de colaborar com o crescimento do reino de Deus nos corações das pessoas, levando esperança a quem não tem, levando vida a quem perdeu o sabor de viver, na busca que tenhamos um só coração e uma só alma (At 2, 42; 4, 32), pois a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração. Por isso que fora muito interessante o que o nosso bispo salientou: “O pastoreio é, antes de tudo, o estar com o povo, com a sua história, com a sua vida, com os seus sonhos. A pastoral nos ensina a exercitar aquilo que vamos desenvolver para sempre”. A missão de férias nos proporciona uma maior proximidade para com o povo de Deus, nos possibilita tocar nas feriadas mais intimas destas pessoas, nos torna mais humanos e dóceis ao chamado do Senhor.

Que Maria nos acompanhe neste tempo de missão, lute ao nosso lado contra tudo aquilo que deseja sufocar a presença do reino de Deus nos corações dos homens, que nos sustente na luta contra as forças do mal, e nos envolva em seu olhar doce e materno. Amém!

 

Boa missão para todos!

 

Por: Seminarista Adolfo Lima

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