Romaria ao Caldeirão do Beato José Lourenço se torna espaço de comemoração do centenário da Diocese de Crato, com o Jubileu das CEBs

A tradicional romaria ao Caldeirão do Beato José Lourenço, que acontece anualmente, há 15 anos, na cidade de Crato- CE, teve na edição 2014 um destaque especial por ser celebrada dentro das comemorações do centenário da Diocese de Crato. O espaço de memória do Caldeirão de Santa Cruz, liderado pelo Beato José Lourenço, se tornou palco do Jubileu das Comunidades Eclesiais de Bases- CEBs, realizado hoje, 21, com a participação de centenas de fiéis, em missa presidida pelo Pe. Vileci Basílio Vidal e concelebrada por diversos padres.

Na 15ª edição da Romaria o bispo Dom Fernando Panico não pôde estar presente por motivo de saúde, mas encaminhou uma carta que foi lida no momento da homilia. Na carta Dom Fernando pediu desculpas pela ausência e falou da alegria que sente pela realização do Jubileu das CEBs, principalmente por estar acontecendo no espaço que ele definiu, em 2002, como “Santuário das Comunidades”. No escrito o bispo disse que de fato o espaço do Caldeirão é um lugar sagrado e santificado pela vida e testemunho de homens e mulheres, jovens, crianças e idosos que encarnaram a proposta de Jesus no Evangelho para viver a solidariedade e a justiça, buscando antes de tudo o Reino de Deus e trabalhando pelo bem comum. “Este lugar é sagrado, pois foi banhado pelo sangue inocente de tantos lavradores e lavradoras sacrificados pela força hostil do capital, porque incomodavam os grandes com o seu jeito simples de viver felizes, unindo fé e trabalho, com convicção e alegria, fazendo coisas importantes e proféticas na luta pela convivência com o semiárido”, afirmou.

O bispo ainda expressou o desejo de que a celebração deste jubileu possa fazer com que o povo se volte para a genuína proposta evangélica das CEBs, para que em tudo o que se faça seja manifestado à busca pela vivencia de comunidades missionárias, abertas, solidárias, unidas e operosas.

Pe. Vileci Basílio Vidal na celebração do Jubileu das CEBs. (Foto: Patrícia Silva)
Pe. Vileci Basílio Vidal na celebração do Jubileu das CEBs. (Foto: Patrícia Silva)

Segundo a articuladora diocesana das CEBs, Rozelia Costa, o número de participantes no evento tem aumentado em cada ano e, o acréscimo na participação da 15ª edição se deu pelo fato da romaria estar fazendo parte da programação do ano jubilar da Diocese, o que animou os missionários a participarem. “O caldeirão faz parte da história centenária da Diocese de Crato, as CEBs se animam por sabermos que também estamos dentro dessa linearidade histórica, de um povo que luta pela vida, que acredita na missão e que se doa pela causa dos pobres e oprimidos. Esperamos que todos aqueles que estão participando do Jubileu das CEBs voltem enriquecidos para suas comunidades e façam ecoar a voz do Caldeirão”, falou.

A romaria reúne diversas caravanas vindas de vários lugares da Diocese de Crato que buscam, através da memória do Beato José Lourenço, fortalecer a atuação dos movimentos sociais diocesano. O missionário José Hidailton Souza Silva, de Brejo Santo, acredita ser este o momento propicio para celebrar, junto com a Diocese centenária, toda a história de resgate, luta e de fé do povo, encontrando no caldeirão o espaço motivador que leva as CEBs a lutarem e se organizarem enquanto comunidade.

O Caldeirão do Beato José Lourenço também atrai olhares estrangeiros como é o caso do documentarista alemão, Karoly Koller, que pela primeira vez participou da romaria e disse se sentir emocionado com a história de vida desse povo. “Eu já havia ouvido falar sobre este local e hoje venho aqui pela primeira vez procurando os sinais do passado, o que sobrou. Temos que ter o cuidado de não deixar desaparecer esta história. Na Alemanha não temos isso. O que aconteceu aqui em tempos atrás, o fato do povo ser afastado da terra, é algo que acontece ainda hoje no Brasil. Deve se ter uma luta para que essa situação seja mudada e a romaria é uma das formas”, disse.

Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto que se apresentou no momento cultural. (Foto: Patrícia Silva)
Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto que se apresentou no momento cultural. (Foto: Patrícia Silva)

A história do caldeirão tem uma forte ligação com as CEBs e foi referencia na preparação para o 13º intereclesial, acontecido em janeiro, na Diocese de Crato. Com o tripé oração, trabalho e abundância, tudo era de todos, as pessoas vivam com alegria e, nesta dinâmica, se tornou um exemplo para discutir questões sociais de projetos voltados hoje para a convivência com o semiárido.

Pe. Vileci, coordenador das pastorais sociais da diocese, explica que a vivencia no Caldeirão tem forte ligação com a realidade das CEBs nos dias atuais, primeiramente quando se relaciona a mística que é fruto da oração, espirito de fraternidade e solidariedade, tendo como referencia a palavra de Deus e depois quando se fala na convivência com o semiárido. “Seja no campo ou na cidade é necessário aprender a viver com o semiárido, saber fazer a gestão da água, trabalhar a produção agroecológica no sentido de defesa da vida e, enquanto organização da sociedade civil, relacionamos as comunidades que buscam implantar suas associações, fazer as discursões para o bem da comunidade. O caldeirão oferece estes elementos para que seja discutida a vida das comunidades hoje, para que elas sejam uma força na realidade em que vivem e afirmar a construção do Reino de Deus”, falou.

O tema central da reflexão da 15º Romaria do Caldeirão e Jubileu das CEBs foi “Preservando a Vida e a Cultura nas Comunidades”. Logo após a celebração da missa as participantes puderam apreciar apresentações culturais como a da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto e o aboio com a participação de aproximadamente 100 cavaleiros.

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