Permanecer no solidário amor fraterno

Eu sou a videira verdadeira – Jesus, ao dizer isso aos seus discípulos, está os alertando acerca das falsas promessas e propostas de vida que é oferecida aos seus seguidores. A videira, símbolo de vida em abundância, também da árvore da vida, é Jesus, não outros. É ele quem pode nos oferecer a realização de vida que tanto buscamos. Mas a vida só se realiza na correspondência autêntica do amor, ou seja, de doação mútua e irrestrita. Daí o convite insistente de Cristo Jesus para permanecermos no seu amor.

Mas o que é permanecer no amor de Cristo? – A cruz é a expressão máxima e mais sublime de amor, pois nela Deus se ofereceu em favor dos homens, isso é dom, entrega; também se doou como homem a Deus, isso é resposta, e mais ainda, solidário amor fraterno para com todos os seus. Se antes era a pertença a um povo que garantia a salvação, agora, no entanto, é o permanecer em Cristo que gera vida nova. O verdadeiro povo de Deus é aquele que permanece em Jesus, a nossa última alegria. A comunidade foi enxertada, introduzida, por bondade Divina, em Cristo, quer dizer, em seu amor, em sua salvação e em sua alegria. Mas isso não significa que o pecado não a possa atingir. Por isso que o amor deve permanecer com toda a sua dinamicidade, todo o seu movimento e todo a sua criatividade renovadora. A verdade vai se contrapondo à mentira, à hipocrisia e suas superficialidades. Isso deve ser vivido no interior de qualquer relacionamento, sobretudo no interior da Igreja. Quando fundado na verdade, o amor vai vencendo todas as oposições, as barreiras, os problemas e as crises postas contra ele. Jesus é a encarnação desse amor. Então somente ele pode nos ensinar o verdadeiro fruto do amor que permanece.

Quais os frutos que o Pai espera do amor? – Para que possamos responder à questão temos que olhar como o amor entre o Pai e o Filho e entre Cristo e os seus discípulos se manifestou no meio de nós. Quando somos admitidos, pelo batismo, à vida cristã, o acolhimento do amor no íntimo de nós mesmos, por pura iniciativa divina, permanecemos no amor de Cristo. Essa permanência, porém, exige de cada um seguimento e prolongamento da comunhão amorosa do Pai e do Filho no cotidiano de nossa vida. O Pai dá o seu Espírito de amor ao Filho, e, por isso, o Filho se entrega ao Pai. Só existe amor onde se constata a confiança e a entrega recíproca. Jesus só permanece no amor de seu Pai, porque observa os mandamentos e guardas as palavras paternas. Quando Jesus diz ser a videira e nós os ramos, comunica-nos que devemos estar inseridos em seu modo de amar: inteira comunhão entre o Pai e o Filho. A gloria de Deus se faz presente pela nossa anuência aos mandamentos, que foram observados, antes e primeiramente, pelo próprio Cristo. E o fruto desse amor? O mútuo e solidário amor fraterno. Um amor que flui desde o Pai para o Filho, do Filho para os seus discípulos e dos discípulos entre si – o qual demonstra a presença e pertença a Deus, o Pai. Por isso, o amor nasce de Cristo (é cristológico). É Jesus a medida e o critério de amor. Mas é também eclesiológico, quer dizer, deve ser exercido e vivido entre nós. Aqui está todo o significado da cruz: sinal máximo de amor, de entrega de si, como dom, para que todos tenham vida plena e comunhão. A cruz, porém, tornou-se resposta de amor porque aquele que nela se deixou ser pregado, antes de tudo se percebeu feito para amar. Pois, todos nós somos constituídos para amar. Ora, quando se é amado, a existência tem ou toma sentido, pois no amor se encontra a plena afirmação de nosso ser. No amor, somos!

Pe George de Brito – ‘sicut qui ministrat’

 

 

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