Paróquia de Tarrafas celebra centenário da Imagem da Padroeira

Em 1910, um rapaz cujo nome só é sabido o apelido, “Candoia”, decidiu tentar a vida no Estado do Amazonas, trabalhando nos seringais, na época “áurea” da borracha. Antes de partir, passando por Tarrafas, fez uma promessa: sendo bem sucedido, ao voltar, mandaria construir uma capela.

Chegando a Fortaleza, antes de tomar o navio, comprou um bilhete de loteria e foi contemplado com 11 contos de réis. Não seguiu a viagem, voltou e cumpriu a promessa: mandou demolir a antiga capela de taipa e construir outra, de alvenaria, no mesmo local, e também dedicada a Nossa Senhora das Dores. Era 1919.

No ano anterior, houve uma campanha para aquisição de uma imagem maior, que deveria ser trazida da capital. O caixote seguiu de trem até Iguatu, de onde saiu, depois, no lombo de um jumento. Recebido com todas as honras, causou o maior espanto quando foi aberto: o vulto não era de Nossa Senhora das Dores, mas de outra santa, desconhecida por todos.

Mandaram, então, um portador chamar, às pressas, o vigário da paróquia vizinha, em Assaré, Padre Emílio Leite Álvares Cabral. Ao chegar, reconheceu: a imagem era, na verdade, de Nossa Senhora das Angústias. Os fiéis ficaram ressabiados, mas logo o padre tratou de animá-los . Devolver a Imagem – disse – além de demorada, seria tarefa dolorosa. Ademais, aquela Imagem era a mesma venerada na Espanha, na Catedral de Granada. O povo aceitou e a festa patronal passou a ser celebrada aos quinze dias do mês de agosto.

Augusta padroeira

A Paróquia de Tarrafas é recente. Foi criada em 2012, pelo então bispo diocesano, Dom Fernando Panico. O próprio município é também recente, tem só 32 anos de emancipação política. A devoção a “Mãe Augusta”, no entanto, já alcança o seu primeiro centenário.

“A Imagem da padroeira se confunde com a própria história da comunidade”, disse o administrador, Padre Paulo Costa. Segundo ele, este ano, especialmente, o coração do povo se rejubilou em alegria na tradicional “festa de agosto”. A preparação começou no fim do ano passado, quando a Imagem peregrinou por todas as comunidades, visitando as casas e as famílias, “na feliz expectativa do jubileu”.

A aposentada Maria Ilda Palácio Rodrigues, de 80 anos, por exemplo, trazendo uma coleção de terços a tiracolo, contou que a mãe acompanhara a chegada da Imagem. Por isso a devoção foi recebida como herança pelos filhos. “Eu quero muito bem a Mãe das Angústias, num sabe?! Inclusive faço coleção desses terços, porque, quando eu morrer, quero que todos eles sejam deixados, ali, aos pés da Mãe das Angústias”, disse, apontando para a Imagem que resplandece no altar-mor da Matriz.

Todas essas memórias afetivas foram depositadas no altar do Senhor, na manhã desta quinta-feira, dia 15 de agosto, na Missa em Ação de Graças ao jubileu centenário da Imagem. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano de Crato, Dom Gilberto Pastana, concelebrada pelo administrador paroquial, Padre Paulo Costa, e assistida pelo diácono transitório, Jefferson Santos.

Na homilia, Dom Gilberto recordou à assembleia reunida: “Celebrar 100 anos dessa Imagem é celebrar a presença de Maria, que continua a nos visitar, proclamando-a bem-aventurada. Como é bom tê-la como nossa Mãe, nossa intercessora, que nos traz Jesus, o Príncipe da paz. Ao celebrarmos este centenário, renovemos a presença dessa Imagem em nossa vida”.

Por: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

 

 

 

 

 

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