O vento e o clima ameno anunciam que é Maio outra vez

Desde a mais tenra idade esse sempre foi o mês da minha predileção, aquele mês que espero com ansiedade, pois dele guardo as mais belas recordações. Em minha memória ainda é viva a lembrança das noites ditosas de Maio no Bairro Seminário, em Crato, onde vivi toda a minha infância e adolescência. Lembro com riqueza de detalhes, cada gesto vivido.

Eu fazia questão de ir sempre perto do andor de Nossa Senhora, mesmo que eu não pudesse ajudar a conduzir (naquela época, a altura não me permitia).

Durante todo o mês, as flores que ornavam o andor de Nossa, quando murchavam, eram recolhidas com muito zelo e guardadas, para que,  no dia 31 de Maio, fossem solenemente queimadas ante o altar de Nossa Senhora. Minha Avó Cecilia Cordeiro (in memoriam) dizia que elas eram bentas, eram sagradas. Isso me encantava de tal forma, que nunca continha a emoção no dia 31. A felicidade era tanta que transbordava em lágrimas. Oh, saudade desse tempo magnífico de minha infância! Algo que se perdeu nos dias atuais…

Foto 1: Altar preparado na sala da minha casa; Foto 2: Livrinho com os exercícios marianos. Foto 3: Com membros da Legião de Maria. Arquivo pessoal.

Em nossa residência, ainda rezamos o exercício mariano nos 31 dias. O livro utilizado é o mesmo até hoje, gasto e amarelado pelo tempo, aquele que eu rezava com minha avó, aos sete anos de idade, que nunca foi substituído. É devoção e tradição.

Existia algo que na infância também sempre chamava minha atenção, eram as roupas brancas que predominavam entre as mulheres durante o mês. Aquele, de fato, era um gesto público da inteira gratidão delas, que com suas roupas alvas, saudavam a Grande Senhora.

No meu interior, eu me interrogava porque aquele gesto não tinha uma adesão do público masculino, foi então que em Maio de 2003, aos 15 anos de idade, eu tomei a decisão de também fazer esse gesto. Lembro até que minha mãe foi no colégio pedir a autorização, para que eu pudesse usar o branco. E a direção prontamente permitiu e autorizou.

A principio, muitos diziam – por ignorância – que esse gesto não era coisa para homem. Eu sempre silenciei – e continuei.

Dezesseis anos depois, cá estou, aos 31, ainda a vestir branco no mês de maio, sem falhar um só dia. É um gesto de gratidão à Senhora Branca de Fátima, minha forte advogada.

Finalizo com um desejo ardente, que mesmo com todo progresso e evolução, não percamos a verdadeira essência das práticas marianas durante este mês de Maio; que possamos manter viva, na atualidade, as práticas de outrora do “Ditoso Mês de Maria”.

Enquanto vivo eu for, Maio sempre será mês de alegria, de cantos, de procissões, de preces, de vestir branco, para mostrar ao mundo inteiro que sou todo dela. Totus tuus Mariae!

Salve Maria!

Por: Juliano Cordeiro, presidente da Legião Maria (Batateira/Crato)

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