O Terço de Nossa Senhora: onde tudo começou

“Eu era pequeno, nem me lembro,
só lembro que à noite, ao pé da cama, juntava as mãozinhas e rezava, apressado,
mas rezava como alguém que ama […]”

Na minha infância eu não entendia o tamanho significado do santo Terço. O que eu sabia era que deveria – também – rezá-lo porque todas as noites, recolhido para dormir, observava minha mãe a deslizar os dedos sobre as contas de um terço enquanto, lentamente, se balançava numa rede.

Em minha cama que ficava ali, no mesmo quarto, eu também começava a balbuciar o ‘Pai-Nosso’ e a ‘Ave-Maria’, também com um terço que, entusiasmado, havia feito questão de procurar na gaveta do armário e tomá-lo por meu. Sequer chegava à metade dos cinco mistérios, afinal, “eu era pequeno”, deitava e tão logo dormia, mas o pouco que rezava, “rezava como alguém que ama”.

Amável devoção ao Santo Terço que, acompanhando o meu crescimento e se tornando a mim cada dia mais terna, fez-me trilhar esse ‘caminho da Igreja’. Essa pequena semente, plantada por minha mãe que, a rezar todos às noites ao fim da lida diária, germinou, principalmente, às tardes do dia 23 de cada mês, quando minha família recebia a visita da imagem da Mãe Rainha.

Sempre que chegava o dia 23, ao cair da tarde, quando o sol se escondia atrás da serra e o céu, demonstrando imponentes sinais de que o dia, ali, se despedia, a vizinha trazia à minha casa a imagem da Mãe Peregrina. A capelinha, ainda a primeira que começou a peregrinar pelas famílias da comunidade (a mesma até hoje) trazia marcas de sua constante peregrinação: a estampa embranquecida do sol e uma vez ou outra chegava com flores que alguma família tinha o prazer de ornar. O livrinho das orações, as quais minha irmã exercia a função de lê-las todos os meses, tinha as folhas desgastadas – por uma boa causa, claro – de tanto ser folheado.

Minha mãe ia ao encontro da imagem, recebia das mãos e da vizinha, ‘se benzia’ e trazia ao interior da sala. Lá colocava sobre a pequena mesa sem muitos adornos, apenas coberta por uma toalha branca bordada com umas flores e a inscrição S.C.J, que quer dizer Sagrado Coração de Jesus, um castiçal com uma vela e um singelo ‘arranjo’ de flores. Ali, defronte à ‘parede dos santos’, começávamos a rezar o Terço. Neste piedoso exercício fui aprendendo, aos poucos, a oração, de modo que, uma vez aprendida, tornou-se um hábito diário. Hoje, me incomoda findar o dia sem rezá-lo.

Foi o Santo Terço quem me levou a venerar a augusta Virgem Maria, a quem recorro sempre com a certeza plena de amparo nas certezas e incertezas da vida, e o luminoso farol que me aponta o Cristo. Desde os primeiros balbúcios, tenho a Virgem Maria sempre presente. Nessas quase duas décadas, vejo a mão da Santíssima Virgem em cada passo dado. Que, por meio do Santo Terço, Nossa Senhora apresente Jesus a muitas outras pessoas, qual a mim, que, nesta bonita devoção, encontrou aquele que é “vida, caminho, verdade e luz”.

“Bendito Rosário da Virgem Maria, caminho seguro que à glória nos guia!Caminho seguro que à glória nos guia!”

Por: Fabrício Furtado, Pastoral da Comunicação (Pascom) da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Mauriti

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