Notícia da Diocese

Visita Pastoral em Crato: Ir ao encontro em um mundo de desencontros

Autor: Mychelle Santos (Colaboradora)

Vivemos em um mundo onde a essência do “encontrar o outro” foi perdida em meio a busca de pessoas e amizades superficiais, que não saem da tela de um smartphone.  Imersos a essa realidade, é um desafio tentar resgatar essa prática. Dom Gilberto Pastana, no entanto, decidiu enfrentar tal desafio. Em seu segundo dia de Visita Pastoral à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Crato, o bispo diocesano quis conhecer um pouco da realidade das escolas da comunidade, e visitando duas instituições de ensino, as escolas José de Brito e Liceu do Crato, ressaltou a importância de visitar o rebanho. “O pastor que vai ao encontro das ovelhas”, assim definia sua visita pastoral.

Preocupado com a juventude das escolas, falou ainda da importância de sair ao encontro do outro, assim com o próprio Jesus saiu ao encontro dos que necessitavam. “Ir ao encontro num mundo de desencontros” ressaltou, ao falar de como se encontrava a sociedade, afastada da escuta e do cuidado com o próximo. “Cada um olha somente para si, vê e não age. É um ouvir, mas não escutar, um ver, mas não enxergar”.

O Papa Francisco em uma de suas homilias, nos instiga a ir a esse encontro. E, nesta perspectiva, vencer as indiferenças de um mundo, hoje, tão individual e desumano. “Todo encontro é fecundo. Todo encontro restitui as pessoas e as coisas no seu lugar. Estamos acostumados com a cultura da indiferença e temos que trabalhar e pedir a graça de fazer a cultura do encontro, do encontro fecundo que restitui a todas as pessoas a própria dignidade de filhos de Deus”, nos diz o Papa.

É preciso que saiamos em busca do caminho da felicidade, caminho da vida, que é o próprio Cristo, e que não seja feito de forma individual, mas que, com o irmão, juntos, possamos caminhar nesta busca, procurando ser preenchidos de Deus, alicerçados à fé e aos valores humanos.

Essa essência de vida em comunidade, do encontro fecundo, foi de forma muito singela encontrada na comunidade Nossa Senhora de Fátima, pertencente à paróquia. Dom Gilberto foi calorosamente acolhido por toda a comunidade, desde os menores até a Dona Maria, uma simpática e forte senhora de 102 anos. O carinho de todos com a visita do bispo saltava aos olhos. A comunidade, composta por sete ruas, reúne todos os moradores nas celebrações realizadas, desde o terço nas casas, às tradicionais renovações. Todos unidos e reunidos em oração, o que traz esperança e fortalecimento da fé comunitária e pessoal de cada um. Tamanha é a vida fraterna da comunidade, onde todos conhecem o outro pelo nome, como uma grande e só família.

“Conhecendo suas ovelhas, o Pastor pode cuidar melhor de seu rebanho.” Assim, disse o bispo durante a Santa Missa, na qual, com um breve encontro com os representantes de movimentos, pastorais e das 12 comunidades, encerrou sua 1º visita pastoral à paróquia, agradecendo o acolhimento que recebeu de todos.

“Um cara que acolhe a gente”

As visitas às escolas foi bem significativa, para o bispo. E de igual forma, para os estudantes. “Ele passa, tipo, como um cara que acolhe a gente. Como nas palavras dele, a gente pode ir longe. E é isso que o jovem precisa ouvir”, considerou o estudante Levi Nunes. José Pedro, presidente do Grêmio Escolar, também concordou: “Isso é muito importante, fortalece tanto a educação pública, quanto o lugar por onde ele passa, torna a escola um lugar mais vivo, espiritual. Hoje a gente vivenciou uma maneira de estudar espiritualmente”. Já a diretora de uma das escolas visitadas, Teresa Alencar, avaliou como positiva a presença de um bispo no ambiente escolar, segundo ela, “tão carente de espiritualidade”: “Nossa juventude é muito carente de espiritualidade. E todas as Igrejas, realmente, ter essa participação. E Dom Gilberto foi muito feliz nessa opção”.

 

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