“No Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção”

O evangelho deste domingo nos proporciona a ocasião de meditarmos sobre três atitudes relevantes. Elas constituem a mensagem central. A primeira fala sobre o retorno de Jesus à sua casa, o qual, ao ser descoberto pela grande massa de desesperançados, ficam ao seu redor a fim de ouvirem sua palavra, a Boa Notícia. Nesta segunda atitude se encontra o modelo de comunidade cristã que tem o seu centro em Cristo Jesus. A terceira trata dos familiares de Jesus. Na verdade, é uma justificativa do evangelista para poder relatar nova realidade familiar fundada pelo Filho da Virgem Maria.

£. ‘Jesus voltou para casa’ – o evangelho segundo Marcos conta que, antes de Jesus ir para casa, ele se encontrava no monte, rezando para escolher os seus apóstolos. A montanha, segundo a Santa Escritura, é o lugar por excelência de se encontrar com Deus. A casa simboliza os laços afetivos da intimidade de Deus para com a humanidade. É o real espaço de solidariedade, fraternidade e amor. É onde o cristianismo acontece por primeiro, na casa, no lar. Aí, em torno de Jesus, reúnem-se aqueles que buscam curas para as suas mais variadas enfermidades. A ida à montanha sempre pressupõe um retorno à casa, quer dizer, a proximidade com Deus deve nos levar a uma proximidade com os irmãos e irmãs. De modo simbólico, o evangelho fala da perfeita unidade que existente, em Jesus, do humano com o divino, da eucaristia com a vida. Quer dizer, o que aqui celebramos devemos fazê-lo realizado na vida diária.

£. ‘Havia uma multidão ao redor dele’ – Como no evangelho de domingo passado, Jesus se encontra no meio da comunidade. Desta mesma maneira, a comunidade cristã deve se reunir em assembleia celebrativa. Nela, o povo acha a palavra acertada que provoca (vai ao íntimo dos corações), que compromete (exige resposta) e que transforma (é preciso assumir outro modo de existir, de ser). E nele, em Cristo, temos o sacrifício da verdadeira redenção e da expiação dos pecados. A grande multidão, necessitada e carente, era acolhida, por meio de seus líderes, com oposição e calúnia, intrigas e perseguições. E Jesus sentiu isso perfeitamente em sua vida e missão. Além disso, viu seus familiares serem contaminados pelos comentários maldosos e críticas injustificadas. A família de Jesus, infelizmente como os fariseus e mestres da Lei, não percebem que a novidade trazida pelo Cristo é demasiadamente exigente. Muitos são os que, ao exemplo do Galileu, sofrem perseguição por optarem por um Deus-amor.

£. ‘Tua mãe e teus irmãs estão lá fora à tua procura’ – a fim de constatarem se era real aquilo que se dizia sobre Jesus, os seus familiares e parentes vão ao encontro dele. E dos lábios do Mestre tomam uma resposta taxativa e bastante convincente. A sua tarefa é constituir nova realidade familiar, não mais a que se baseia no sangue ou na cultura, ou ainda, numa nação ou num povo. Jesus vem estabelecer novos laços de amor, de fraternidade e de solidariedade entre os seres humanos. Em Cristo, surge uma nova família, a Igreja de Deus. O elo fundamental entre estes novos parentes é fixado na escuta atenciosa e assídua da Palavra e na disposição sempre crescente de cumprirem a vontade de Deus. É este o ensinamento de Jesus aos discípulos que estão ao seu redor. Para nós, hoje, o ensino de Jesus tem ressonância em nosso coração? Somos atentos e assíduos à sua Palavra? Buscamos cumprir a vontade de Deus em nossa vida? Voltamos para casa cheios de Deus (entusiasmados), e por isso muitos são os que nos procuram? Em casa, posso ser visto como uma presença de Deus?

Por: Padre George de Brito, Mestre em Teologia Dogmática e Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora dos Milagres, em Milagres.

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