Magnificat: o louvor de Maria que também é nosso

“Magnificat”, o cântico de Maria, presente no Evangelho, é tema deste livro escrito por ninguém menos que Martim Lutero. À parte a reforma protestante, por meio da qual ele ficara conhecido, sobressai à figura de um Lutero piedoso, que se refere a Nossa Senhora tratando-a como “a doce Mãe de Deus”.

O livro, na verdade, é uma correspondência enviada ao Príncipe João Frederico, Duque de Saxônia, no Norte da Alemanha, a quem Lutero prometera uma explicação do Magnificat (o príncipe, segundo consta, tinha espírito inclinado à Sagrada Escritura).

Tomando o louvor de Maria como um “acontecimento histórico”, mas cheio de “experiência própria”, iluminada e instruída pelo Espírito Santo, Lutero considera que o cântico muito pode servir àqueles que governam ou exercem alguma autoridade, pois “o bem-estar de muita gente depende de um príncipe tão importante, quanto ele é governado pela graça de Deus”. E vai além ao dizer que não se pode aspirar qualquer posto senão aquilo que Deus incumbe especialmente, isto é, não o que se deseja ou se busca, mas o que o Senhor tem preparado. Assim, o livro torna-se atualíssimo nestes tempos de sucessivos erros de conduta, que põem em risco a vida e a dignidade do povo brasileiro.

Em narrativa leve, terna na escolha das palavras, Lutero dirige nosso olhar para a humildade com que a “doce Mãe de Cristo” vê a si: “serva” do Senhor. Não se envaidece, por exemplo, com as palavras de Isabel que a proclama “bendita entre todas as mulheres”. Ao contrário. Ao ouvir a saudação da prima, põe-se a louvar a Deus, agradecendo as maravilhas que Ele fez em seu favor. De sua parte, não há mérito algum. “Ele olhou para a pequenez de sua serva”, recorda, enfática. Sua alma até se engrandece, seu espírito também se alegra, mas no “Todo Poderoso” que fez Nela maravilhas.

E isso, para Lutero, é o que há de mais bonito na “Bendita Mãe de Deus”: a humildade, a solicitude e a confiança com que Ela se deixa conduzir no “Plano da Salvação”. Assim é que devemos fazer, sublinha o autor. Assim devem fazer, sobretudo, aqueles que governam, “pois devem aprender bem e guardar na memória o cântico de Maria”. E Lutero compreende isso por três motivos: porque é preciso exaltar os humildes, por que é preciso saciar os famintos e porque é preciso acolher seu povo.

A obra, neste sentido, busca fazer uma análise profunda do louvor de Maria, tomando-o como exemplo do agir de Deus na humanidade. “[…] Mas de nada adianta essa ajuda se a pessoa não experimenta, sente ou percebe o Espírito Santo”, alerta no começo do livro, uma versão atualizada, na verdade, do original “O Magnificat”, que se encontra em “Obras Completas de Martim Lutero”.

Olhando, então, para a bem-aventurada Virgem, a quem, pelas mãos de Deus, recebemos como “Mãe da Divina graça”, o autor acredita ser possível contribuir para a realização do Reino, “assim na terra, como no céu”. Para isso, basta um espírito capaz de interpretar, de forma proveitosa e profunda, o “Magnificat, o louvor de Maria”. Ela, cantando a sua experiência, convida-nos a também elevar uma prece de louvor e gratidão Àquele que por nós “faz maravilhas” a partir de nossa própria experiência de fé.

Livro: Magnificat, o louvor de Maria

Autor: Martinho Lutero

Editora: Santuário e Sinodal

Ano de publicação: 2015

Páginas: 126

Para acompanhar a leitura: https://www.youtube.com/watch?v=9fmk6wzLUFk

 

*Por Patrícia Mirelly, repórter da Diocese de Crato

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