Elas são extraordinárias

Você provavelmente já ouviu falar, na Igreja, sobre o ministério extraordinário da comunhão eucarística, ou, simplesmente, MECE. Ele integra homens e mulheres que colaboram com o serviço dos sacerdotes, na exposição do Santíssimo Sacramento, na comunhão aos enfermos e na distribuição dela nas missas onde o número de fiéis é maior que o número de padres e de diáconos. Provavelmente também deve ter reparado que a presença feminina, nessas funções, é muito ampla.

Nas missas, estão sempre bem alinhadas na “opa”, nome dado à veste litúrgica, que elas combinam em saias e em calças de tecido social preto, acompanhadas também de sapatos preto (alguns até com salto), que demonstram o zelo no exercício do ministério.

Até a forma como elas seguram a âmbula fala: o zelo por tua casa me consome. Foto: Patrícia Mirelly)

Mas, sobretudo neste dia 8 de março, essa boa aparência dá lugar a uma reflexão que passa despercebida: o alívio espiritual que as ministras levam a uma centenas de pessoas fora da missa, onde, muitas vezes, os padres não conseguem alcançar, pela quantidade de tarefas pastorais e administrativas que desenvolvem.

Serviço de suma relevância, da mais extrema confiança e do maior amor

“In persona Christi”, bispos e padres consagram, durante a missa, o pão e o vinho. As hóstias que sobram, chamadas reservas eucarísticas ou partículas, vão para o sacrário, espécie de cofre. E é. Nele está guardado o tesouro da Igreja. Na Matriz de Nossa Senhora de Fátima, em Crato, esse tesouro está localizado numa capela, ao lado do presbitério.

É quarta-feira de manhã. A ministra extraordinária Josefa Santana genuflecte diante do Sacrário e o abre cuidadosamente. Da âmbula, um recipiente feito em metal, ela recolhe as partículas, imediatamente transportadas para outro recipiente, de tamanho menor, chamado “teca”. O rito exige concentração e destreza. “O zelo por teu ministério me consome. É a única palavra que vem na cabeça”, ela diz.

No caminho do Horto, em Juazeiro do Norte, Francisca Bezerra – ou apenas, Leide, como é conhecida – percorre um intricado caminho para levar a comunhão aos enfermos. Pontualmente às oito da manhã, ela sai da Capela de Santa Clara, sempre no primeiro domingo ou no terceiro, tendo o cuidado de não deixar o viático (espécie de bolsa para transportar as partículas que serão dadas àqueles que estão prestes a morrer) exposto nem aos ardores do sol, nem à observação pública. As ruas nem sempre são sossegadas. E quando chega à primeira casa, é anunciada aos gritos: “A mulher da hóstia chegou!”. Mas qual não é também a sua surpresa: um pequeno altar já está montado, com flores e velas.

Como Maria, nas bodas de Caná, as ministras estão sempre diligentes. Foto: Patrícia Mirelly

A quase quinze quilômetros dali, ao depor a “teca” sobre a mesa, é Antonia Nobre quem anuncia: “Jesus chegou!”. E até o mais rabugento dos enfermos sorri. Tendo na bolsa a liturgia diária, às vezes proclama o Evangelho e faz breve comentário sobre a mensagem, noutras diz, apenas, alguma palavra de conforto, dependendo da situação do doente.

E quando o relógio marca “Hora da Graça” para os paroquianos do Menino Jesus de Praga, no bairro Novo Juazeiro, em Juazeiro do Norte, Tereza Maria Dantas põe sobre si a “opa”. A piedade é a mesma com que o celebrante beija a estola, antes de colocá-la sobre o pescoço. Enquanto a missa não começa, olha a assembleia e certifica se os demais ministros são suficientes. É dela a responsabilidade de escalar e coordenar os MECE. Tanto mais se vierem a faltar. Uma vez, havendo programado outro compromisso pastoral, achou de passar, antes, pela Matriz. “Olhei da porta principal, vi aquele monte de gente, e só alguns ministros. A missa ainda estava no início. Eu estava de vestido, mas fui na sacristia, abri o armário, peguei a veste – porque sempre fica alguma de reserva – e fiquei para ajudar, não aguentei”. E é de igual diligência ao expor o Santíssimo Sacramento para o Terço da Divina Misericórdia, rezado também às sextas, mas às quinze horas.

O que elas acham da missão

Fizemos essa e outras perguntas para as ministras. Confira no vídeo abaixo o que temos a aprender com o testemunho delas.

Para saber mais:

Nenhum outro trabalho pastoral exige tamanha responsabilidade. Para ser investido no ministério extraordinário da comunhão é preciso indicação, aprovação (do pároco ou administrador paroquial) e o primordial: bem acolhido – e bem acolhida – pelas comunidades. Na diocese, o bispo Dom GIlberto Pastana decidiu estender o tempo de preparação. Antes feito em um fim de semana, o curso agora tem duração de dez meses, sendo aplicado por região forânea.

Na missa, elas permanecem o tempo todo em profunda oração. 

Apesar de ser pouco enaltecida, ser ministra extraordinária é uma função da mais extrema confiança.

Créditos:

  • As Imagens do último vídeo foram retiradas da página “A Boa Nova”, da Pascom Paroquial do Menino Jesus de Praga, em Juazeiro do Norte;
  • A intérprete da música “Achei Jesus Nos Braços de Maria”, de Waldemar Salgado, é Beatriz Pereira. 

Por: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

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