É hora de retomar os laços

“Entre vocês não deve ser assim” (Mt 20, 26). Essa foi a orientação de Jesus aos discípulos, indignados com os dois irmãos que requisitaram um lugar de honra ao lado do mestre. Naquele contexto, Cristo chamava atenção para o exercício da vida em comunidade.

A frase se adequa ao momento de pós-eleições em que vivem os brasileiros. Na Campanha política deste ano, preferências partidárias e convicções ideológicas levaram ao rompimento dos laços comunitários e afetivos, dissolvidos em debates que se acentuaram, sobretudo, na internet, entre amigos, colegas de trabalho – de faculdade e de escola – e até mesmo familiares.

Passado o período eleitoral, como retomar a convivência, de forma fraterna, ainda que o coração continue a defender as mesmas ideias? Como vencer o orgulho e ir ao encontro daqueles com que se travaram os mais acalorados embates?

A psicóloga da Cúria Diocesana de Crato, Maria Gorete, sublinha que o melhor caminho é parar e refletir até que ponto vale a pena romper com as pessoas queridas em nome de um partido ou ideologia.

Nesta entrevista, ela ainda orienta como vencer o orgulho e extrair aprendizados dos embates travados, sobretudo, nas redes sociais da internet.

A eleição acabou, mas deixa como legado o rompimento dos laços entre as pessoas. Como retomá-los, mesmo ainda sustendo convicções ideológicas tão diferentes?

Será que vale a pena, por uma ideologia ou convicções diferentes, romper com a família e com as pessoas que a gente ama? É momento de parar e se perguntar. Se a resposta for negativa, então é o momento de procurar as pessoas com quem rompemos os laços. Num mundo tão individualista, por que não manter os laços familiares, de amizade, que levamos por todo o sempre?

Muita gente pode ter resistência quanto a essa retomada. O que fazer para driblar o orgulho?

Quando a pessoa é grande? A pessoa é grande quando reconhece que errou, quando reconhece que magoou alguém e vai pedir desculpar, olhar no olho, passar toda a emoção que você tem, passando para o outro, o seu sentimento mais puro, e daí esquecer o seu orgulho que só machuca. Pedir desculpas por quê? Porque eu tenho o meu pensamento e o outro tem o dele. Então, é respeitar, principalmente o jeito que o outro tem de ver a vida.

É possível extrair algum aprendizado disso tudo?

Sempre temos aprendizado no dia a dia. Então, quando a gente machucou ou é machucado, a gente tira um aprendizado, para que não se cometa mais esse erro, para que a gente se reconheça humano e veja o outro como humano. Todos nós somos sujeitos ao erro.

Por Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

 

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