Domingo de Ramos abre a Semana Maior da Igreja

Na cidade de Crato centenas de fiéis participaram da celebração do Domingo de Ramos, dia 14 de abril. A missa, que foi presidida por dom Gilberto Pastana, teve início no Santuário Eucarístico Diocesano, ao fim da tarde, de onde saiu a procissão, sendo concluída na Catedral Nossa Senhora da Penha.

Com uma liturgia especifica, além de recordar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, a celebração deu início a Semana Maior da Igreja, ou seja, a Semana Santa, que envolve os cristãos em um misto de gritos de hosanas com os brados da Paixão de Cristo. “Participo recordando que Jesus foi aclamado ao entrar em Jerusalém e depois morreu na cruz, pelos nossos pecados, por amor a nós. Enquanto cristã procuro rezar e viver, intensamente, cada dia desta semana, pois são passos que nos levam à Páscoa do Senhor”, disse Maria de Lourdes da Silva, que piedosamente, com o ramo na mão, junto aos demais fiéis, entoou cânticos de louvor durante toda a procissão.

Na primeira parte da missa (rezada no Santuário) os fiéis participaram do rito da bênção dos ramos, a leitura da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e da procissão; na segunda, da proclamação da Paixão e a celebração da Eucaristia. “Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém marca o fim daquilo que Jerusalém representava para o Antigo Testamento e assinala o início da nova Jerusalém, a Igreja, que se estenderá por todo o mundo como sinal universal da futura redenção”, explicou o bispo.

Ao fim da missa todos foram convidados a levarem os ramos, erguidos durante a celebração, para casa, mas não como amuletos de sorte e, sim, como algo sagrado que simboliza o compromisso assumido com Jesus no caminho rumo ao Pai.

A morte de Jesus

O espaço litúrgico, tanto do Santuário como o da Catedral, também aproximou os fiéis do significado da Semana Santa. Imagens dos santos cobertos, altar desnudo, apenas com ramos de palmeiras, tudo muito sóbrio. A narrativa do evangelho de Jesus segundo Lucas, cantada em três vozes masculinas, como é de costume na Catedral, nesta celebração, introduziu os participantes na Paixão de Jesus. Diante do anúncio da morte de Cristo (Lc 26,46), ao som das matracas, todos se ajoelharam e fizeram um instante de silêncio.

“A morte de Jesus deve ser entendida no contexto daquilo que foi sua vida. Desde cedo, Jesus percebeu que o Pai o chamava a uma missão: anunciar a Boa Nova aos pobres e por em liberdade os oprimidos. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina fazendo o bem e anunciando um mundo novo de vida, liberdade, paz e amor para todos. Ensinou que Deus era amor, não excluía ninguém, nem os pecadores. Ensinou que os pobres e marginalizados eram os preferidos de Deus. Avisou os ricos e poderosos de que o egoísmo e o orgulho só podiam conduzir à morte”, disse dom Gilberto durante a homilia.

Ainda de acordo com o bispo, este projeto libertador de Jesus entrou em choque com as autoridades que não estavam dispostas a renunciar poder, influência, domínio, privilégio e, por isso, se sentiram incomodadas com as denuncias.  “Por isso prenderam Jesus, julgaram- no, condenaram-no e pregaram-no na cruz. A morte de Jesus é a consequência do anúncio do Reino que provocou tensões e resistências”, enfatizou.

Acima de tudo, amar

Dom Gilberto continuou sua reflexão, dizendo que contemplar a Paixão e Morte do Senhor é perceber a presença de um Deus a quem o amor tornou frágil. “Por amor, ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai e, estendido no chão, esmagado contra a terra, traído, abandonado, incompreendido, continuou a amar”, destacou.

Para viver este amor, dom Pastana elencou algumas ações concretas, tais como: assumir a mesma atitude de amor, entrega e solidarizar-se com os que continuam sendo crucificados; denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo; evitar que os homens continuem a crucificar outros homens e aprender, com Jesus, a entregar a vida pelo mesmo amor.

E, desejando que o grito de alegria deste domingo de ramos, não se converta no “crucifica-o” da sexta- feira santa, incentivou-os caminharem rumo a Páscoa com amor.

Por: Jornalista Patrícia Silva (MTE 3815/CE)

 

 

 

 

 

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