Dom Gilberto explica particularidade da narrativa do evangelista João sobre a Paixão de Cristo

Durante a homilia da Ação Litúrgica da Paixão de Cristo celebrada nesta Sexta- Feira Santa, dia 19 de abril, na Catedral Nossa Senhora da Penha, em Crato, dom Gilberto Pastana elencou alguns elementos próprios da narrativa da Paixão de Jesus segundo o evangelista João, descrita no capítulo dezoito.

Nas palavras abaixo , retiradas da homilia, o bispo apresenta algumas das particularidades do evangelista sobre a Paixão de Morte de Jesus.

“Ofereci a minha vida” (10,17)

Os soldados guiados por Judas cercam Jesus: “logo que Jesus lhes disse: Sou Eu, recuaram e caíram por terra” (18,16). Isto significa que, se tivesse querido, Jesus teria podido se defender, mesmo sem a intervenção dos discípulos (10,10-11) ou das “doze legiões de anjos” (Mt 26,53). A renuncia ao uso do seu poder divino está na origem dos paradoxos da Paixão, tanto em João como nos sinódicos: Por exemplo, os soldados procuram “com tochas e lanternas” (18,3), aquele que é “A Luz do mundo”. Aquele que abraça o universo (1,3.10). Podem fazê-lo porque Jesus se deixa capturar, entrega a sua vida livremente: “Ninguém me tira a vida. Eu dou-a livremente”. (10,18) É o sumo sacerdote (segunda leitura) que personaliza o sacrifício: Não oferece o sangue de “touros e carneiros”, mas, “A si mesmo”. Segue o caminho do servo (primeira leitura), que no momento do sofrimento “se oferece a si mesmo em expiação”, “entrega- se a si mesmo à morte”.

Eis o Homem! No processo que desenrola diante de Pilatos, Jesus é rejeitado quer como Filho de Deus, quer como Rei Messiânico, quer como homem. Tanto é verdade que não encontra compaixão nem mesmo depois da flagelação: Eis o Homem! Crucifica-o, crucifica-o. A cena da flagelação, que está situada no vai e vem de Pilatos entre Jesus e os Judeus, fornece a medida da dramática injustiça do processo, da dolorosa “humilhação” que leva o caminho da encarnação e torna-se o símbolo da “violência do homem sobre o homem”.

“Aos pés da Cruz” (19,25-27)

Ao ver sua mãe e o discípulo predileto, Jesus revela, até o fim, o seu coração, sempre dirigido para o bem do próximo. São as pessoas que ele mais ama, e ele entrega-as uma à outra. A virgem, que está aos pés da cruz “Não sem desígnio de Deus”, enquanto perde o seu unigênito adquire como filhos os discípulos d’Ele, representados pelo predileto. Por seu lado, o discípulo faz entrar Maria na sua vida. Nesse momento “A Mãe de Deus” torna-se também “Mãe da Igreja”.

“Tudo está consumado” (19,30)

O “tudo” não se refere só ao discurso da Paixão, mas alarga-se ao plano de Deus na história. A chave de volta do inteiro arco está na cruz, onde o cumprimento coincide com o fracasso. Mas esta palavra de Jesus completa-se com outras, em que a Cruz está ligada paradoxalmente à glória: a glorificação do Pai, de quem o Filho “completou a obra”, a exaltação do Filho, que do alto atrai todos a si.

“Sangue e água” (19,34)

João descobre neles os frutos do sacrifício redentor: o Dom da Salvação e do Espírito Santo, que nos foram comunicados pelo Batismo e pela Eucaristia. Brotam do lado transpassado de Jesus, que é objeto de uma visão permanente: “Voltarão o olhar” (19,37). Visão universal da parte das pessoas piedosas que estão aos pés da cruz (19,25), mas também da parte dos Judeus, responsáveis por aquelas chagas e por aquela morte, e de todas as pessoas representadas pelos soldados romanos.

Por: Jornalista Patrícia Silva (MTE 3815/CE)

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