Dioceses do Ceará se reúnem, em Crato, para refletir sobre espaço litúrgico

Para favorecer a oração dos fiéis, a sintonia deles com o divino e a experiência com o Sagrado, os espaço nos quais acontecem as celebrações devem ser bem projetados e bem ornamentados. É nessa intenção que acontece o V Encontro de Liturgia, promovido pelo Regional Nordeste 1, neste fim de semana (5, 6 e 7 de julho). O encontro é sediado pela Diocese de Crato, especificamente no Centro de Expansão Dom Vicente Araújo Matos, em Crato. Aí, representantes das Pastorais de Liturgia das nove dioceses do Ceará estão reunidos para ouvir as orientações do assessor, Padre Thiago Aparecido Faccini Pago, e do bispo referencial da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, Dom Gilberto Pastana (bispo de Crato).

A ideia é levar orientações práticas para os profissionais que atuam na área ou os interessados na área do espaço litúrgico, de acordo com o Padre Ismael Vogas, da equipe de preparação do encontro. “Para que os fiéis possam, de fato, adentrar no Mistério de Cristo, para que haja, de fato, uma experiência ‘mistagógica’, ou seja, uma experiência de intimidade com o Mistério de Cristo, é necessário que haja esses condicionamentos. Não se pode, apenas, ser artista ou gostar de espaço litúrgico. Também precisa ter em vista as orientações da Igreja”, diz o padre.

Os conteúdos estudados no encontro percorrem a Teologia, a Antropologia e a Ciência da Religião até entender o que é um espaço litúrgico e os critérios que o constitui como lugar de encontro para o cristão, explica o assessor, Padre Thiago. Aos 35 anos, dos quais nove estão dedicados ao ministério sacerdotal, ele tem mestrado em Teologia (PUC-SP) e especialização em Espaço Litúrgico e Arte Sacra pela (PUC-RS). É secretário executivo da Associação dos Litúrgistas do Brasil (ASLI), perito do Setor de Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal Pastoral para Liturgia da CNBB e autor de livros sobre catequese e liturgia.

Tema e programação 

Até este domingo, dia 7 de julho, os participantes do V Encontro de Liturgia refletem sobre os critérios que devem ser observados na construção de uma igreja, por exemplo, assim como a organização dos espaços que a compõe. Para isso, seguem o tema: “História, Teologia e Perspectiva Pastorais”. As reflexões acontecem de forma expositiva, com espaço para intervenções da plateia e intervalo de trinta minutos. Neste sábado (6), estão divididas em quatro momentos. Já no domingo (7), há mais um momento para aprofundamento, dúvidas e considerações finais.

De acordo com o assessor, Padre Thiago Aparecido Faccini Pago, a Igreja é a referência para uma comunidade viva. Os cristãos são templos do Espírito Santo, mas, enquanto seres humanos, precisam de uma referência, de um lugar que proporcione o encontro entre o humano e o divino. Daí a importância de pensar bem essa igreja, de projetá-la, para que nela haja os elementos que a identifique como Casa do Senhor, “lugar de encontros dos cristãos, lugar de uma comunidade viva de fé”.

Por outro lado – pontua o padre – esses espaços devem ser pensados a partir da própria Liturgia. É ela o critério maior. Na Igreja Católica, por exemplo, há símbolos e há sinais próprios que a diferencia das demais, por isso precisam ser preservá-los. “Pensar e projetar o espaço é importante, para trazer uma identidade para essa igreja e, então, favorecer o encontro de pessoas tão diferentes que se unem ao redor de algo comum, que é a nossa fé no Cristo vivo e ressuscitado”.

Conhecer, portanto, a Liturgia, os ritos que vão ser feitos e realizados no espaço, configura-se como algo a ser observado com especial atenção. “Por exemplo, eu vou pensar o altar. Para eu pensar esse altar, eu tenho que pensar quais são os ritos que acontecem em torno desse altar. E é isso que vai determinar todo o projeto do espaço celebrativo”, conclui.

Expectativas

Para Fagner Pereira, da Diocese de Crato, o encontro vai ajuda-lo a melhorar os ambientes, para que estes possam favorecer a oração do povo, mas também a sua. “Quando estamos no espaço celebrativo, as primeiras pessoas que devem orar com aquele momento somos nós, que estamos a conduzir e fazemos parte da equipe de celebração. E, a partir daí, levar as pessoas à oração, a partir de um espaço bem preparado. Aprender e conseguir levar esses conhecimentos, para conduzir o nosso povo ao espírito das celebrações, é a nossa grande expectativa”, comenta.

Guilherme Farias mora numa região diocesana diferente: Quixadá, no Sertão Central. Mas partilha das mesmas expectativas:“É um momento que nós nos encontramos aqui, para estudarmos um pouco aquilo que a Igreja, em toda a sua história e sabedoria, propõe. E é importante a gente vir aqui se alimentar desse estudo, retornar para as paróquias e, de certa forma, adapta-lo, de acordo com a nossa realidade cultural.”

Zildete Queiroz, Arquidiocese de Fortaleza, acredita que as explicações e os aprofundamentos tanto na parte teológica, quanto filosófica vão ajudar na compreensão do tema. “Conhecer melhor e também transmitir, não só na parte da formação com as pessoas da Liturgia, mas ter um espaço na Missa, para que possamos transmitir um pouco desse conhecimento para a assembleia”.

Por: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

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