“As verdadeiras características do amor”

§ 6º Domingo da páscoa. O evangelho deste domingo continua com a comparação da videira e os ramos. E assinala, de maneira bem mais evidente, que só permanece no amor de Cristo, ligados à videira (Jesus), os ramos (os cristãos) que se deixam nutrir pela seiva do amor, ou seja, amam como Jesus amou todos os seus, inclusive inimigos e o opositores.

O amor de Cristo, então, não é sentimento nem emoções, embora, vez ou outra por aí, tenha que passar, mas sem se resumir a isso. Logo surge a pergunta: quais são as marcas características do amor de Cristo? O amor é ‘como’ o de Jesus se ele é espontâneo, recíproco e fecundo.

§. ‘Não fostes vós que me escolheste, mas fui eu que vos escolhi’ (Jo 15,16) – esse é o amor espontâneo. O amor que nasce de uma escolha, de um ato deliberado pela liberdade, porque, se ama ser livre, deixa-se que os outros o sejam também. E isso acontece por sermos escolhidos pelo Amor (Deus) para amar (como Jesus). Eis o motivo do mandamento do amor: ‘Ele (Deus) que nos amou, para que tenhamos vida por meio dele (Cristo)’ (1Jo 4, 10.9).

§. ‘Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei’ (Jo 15,9) – este é o amor recíproco. Esta atitude cristã é a mais complicada e exigente, porque a reciprocidade está mais para o amor que ama (Agostinho) que para a pessoa a quem se deve amar. É – noutras palavras – entender que ‘Deus não faz distinção entre as pessoas’ (At 10,34). Mas se há pessoas que se excluem da vida em Deus ao não praticarem a justiça nem o temerem (At 10,35), tanto os inimigos de Deus como os nossos, isso jamais poderá justificar o exercício da bondade, nem por nossa parte nem pela de Deus, somente para alguns e outros não.

§. ‘Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei’ (Jo 15,12) – este é o amor fecundo. O amor não é para ser retido (egoísmo), mas para ser derramado (fecundado) nos corações (Rm 5,5). A fecundidade se faz presente por meio de atitudes concretas, de gestos que lembram as convicções mais profundas de si e por não se ter medo de expressar ao mundo a verdade norteadora da vida. É, ainda, espalhar sementes de esperança que acalentem a fé. A fecundidade do amor é dinâmica e performativa. Dinâmica por criar possibilidade de vida em plenitude e performativa por manifestar a maneira de como se deve viver e ser.

§. Essas características do verdadeiro amor devem ser averiguadas no percurso existencial, pastoral e comunitário de cada cristão. Minha vida corresponde aos critérios do amor de Cristo? Estes critérios são visíveis em atos ou em palavras que anunciam atos? Minha ação pastoral se faz por generosa e por deliberada solidariedade, tendo em vista a outrem, ou apenas visa interesses pessoais? Há sólidos sinais de vivências desse amor no meio onde vivo? Quais? Como posso estimulá-los? Caso não haja, como criá-los? O amor que Cristo Jesus quer que tenhamos só é subjetivo na medida em que se pressupõe a presença do sujeito que funda e sustenta a ação. A objetividade desse amor não é quantitativa, mas qualitativa.

Padre George de Brito é Mestre em Teologia Dogmática, e exerce seu ministério pastoral na Paróquia Nossa Senhora Dos Milagres, em Milagres.

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