Advento: tempo de espera e conversão

A etimologia da palavra advento vem do latim adventus que quer dizer vinda, chegada. O advento consiste em um tempo de espera. Esperamos a vinda do Cristo, o filho de Deus. O catecismo da Igreja católica nos auxilia a refletir sobre esse tempo de espera e preparação para celebrar o Natal. Os seguintes números do Catecismo nos ajudam há meditar esse tempo:

  1. A vinda do Filho de Deus a terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da “Primeira Aliança”, tudo Ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.
  2. São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o Caminho. “Profeta do Altíssimo” (Lc 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra a sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Precedendo a Jesus “com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio.
  3. Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).

Origem do advento cristão

Os primeiros registros de um período de preparação para o natal datam do século V quando o bispo de Tours, São Perpétuo, estabeleceu o jejum de três dias, antes da celebração do nascimento Senhor. São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro Papa a redigir um ofício para o Advento e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em promover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.

No século IX, a duração do Advento reduziu-se para quatro semanas, tempo este que permanece até hoje. No século XXI o jejum havia sido substituído por uma simples abstinência. Este caráter de penitência, na idade média, de gerar nos fiéis a expectativa para a vinda do Salvador, orientando-os para a sua segunda vinda gloriosa nos fim dos tempos.

Quatro domingos

A liturgia dos quatro domingos onde se celebra o advento prepara-nos para receber o Cristo que vem e virá em uma segunda vez. Tempo que nos pede vigilância e conversão, para assim celebrar com júbilo e alegria a chegada do filho de Deus. Durante esse período usa-se a cor roxa nos paramentos, como sinal de nossa conversão nesse tempo de preparação para o Natal.

No primeiro domingo, Cristo aparece glorioso, rodeado de seus anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno. Somos chamados a estar atentos e aguardar seu retorno. “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36). É a recomendação do Salvador.

A igreja então nos convida à conversão e a penitência e nos coloca no segundo domingo, diante da figura de João Batista, o último dos profetas, aquele que abre e prepara o caminho para vinda de Jesus. João Batista é o mensageiro de Deus, com sua mensagem, ressalta o caráter de penitência do advento, nos chamando a nova vida através do batismo e da conversão. “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. (Mc 1, 7-8)

O terceiro domingo é chamado “domingo da alegria”, a alegria que se manifesta ao sermos perdoados. “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O senhor está perto”. Aproximando o dia da chegada do Deus que se fez homem, a igreja nos chama a celebrar e viver a bondade do Senhor. Neste dia, cessa-se o roxo, e usa-se o rosa nos paramentos litúrgicos.

No quarto domingo, Maria anuncia a chegada do verdadeiro Sol da Justiça, que vem para iluminar todos os homens. Quem melhor que Ela, para nos conduzir a Ele? Doce advogada reconcilia os pecadores com Deus, nos ampara nas dores e traz-nos as alegrias. Aquela que fora escolhida para trazer a nós o Deus-homem. A lamparina que traz a luz que dissipa a escuridão do pecado.

Nesse tempo, a Igreja nos ensina que os sofrimentos da vida é um período de advento, e que vivendo vem, ou seja, na lei de Deus, vivendo na sua vontade, nossa recompensa será o próprio Jesus, e um dia, com ele, poderemos estar contemplando as belezas no Céu.

A coroa do Advento

Neste tempo, prepara-se no altar um lugar para a Coroa do Advento: um círculo feito de ramos verdes, com quatro velas de cores variadas. A guirlanda, como também é chamada, orna e marca a época do advento nos países cristãos, desde muitos séculos.  Sua origem vem da Europa, onde no inverno os bárbaros acendiam-se velas que representavam a luz do Sol.  Deste modo, afirmavam a esperança de que a luz e o calor do astro-rei voltariam a brilhar e aquecê-los. Com a chegada dos primeiros missionários cristão, que a partir desse costume começaram a ensinar-lhes fé e conduzi-los para Jesus Cristo.

A coroa tem a forma de um círculo, não tem início nem fim, assim como é o amor de Deus por nós, eterno. Sinaliza o amor do homem a Deus e também ao seu próximo. Traz ainda o símbolo de aliança, de união, o “elo” entre Deus e os homens.

O verde da coroa representa a esperança e a vida. Os ramos verdes lembram as bênçãos que foram derramadas sobre os homens por Cristo, em sua primeira vinda, e renova a esperança na segunda e definitiva volta dEle.

Cada vela colocada na coroa simboliza uma das quatro semanas de celebração do advento. No início a coroa está sem luz e lembra a experiência da escuridão do pecado. A cada semana, aproximando-se do natal, uma nova vela é acesa, representando a aproximação da chegada Daquele que é a Luz do mundo, Jesus Cristo, aquele que dissipa as trevas da escuridão e traz a reconciliação entre Deus e o seu povo, e o seu amor por Nós.

A nossa vida toda é advento. Esperamos pelo encontro com Deus, não só no período que antecede o Natal, mas esperamos, principalmente, o dia do nosso encontro definitivo com o Deus que vem até nós e que nos leva a Si.  Que neste período cada possa ser renovado com a esperança da vinda do Deus menino, que nascerá nos corações daqueles que estiverem abertos a acolhê-lo em sua vida.

 

Referências

http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/advento-significado-e-origem-140860

http://cleofas.com.br/excelente-ajuda-para-refletir-e-meditar-os-numeros-do-catecismo-que-nos-falam-do-advento/

http://www.rezar.org/content/tempo-do-advento-significado-das-cores-roxa-e-rosa-na-liturgia-localiza%C3%A7%C3%A3o-no-ano-lit%C3%BArgico

 

Organizado por Mychelle Santos/Pascom Diocesana.

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