A devoção de Dona Ana

Desde o início da celebração ela estava sentada próxima ao andor da Imaculada, posto ao lado esquerdo da capela onde uma missa era rezada em ação de graças. Da outra lateral estava eu, atraído por esta cena que me fez “ganhar o dia”. A piedade com a qual aquela humilde senhora participava da Santa Missa chamou-me atenção de modo que não mais consegui desviar a vista daquele olhar que se voltava, cheio de fé, à imagem da Virgem. A cada canto entoado, cuja missa era votiva à Nossa Senhora, aquele brilho no olhar da senhora permanecia vivo e constante.

Ao final, não resisti e a procurei lá no mesmo lugar onde ela havia assistido a missa. Lá estava, com a mão estendida à imagem, fazendo suas orações. Esperei-a terminar e,”como quem não quer nada”, perguntei se ela muito havia esperado aquele momento, em que ante a uma imagem de Nossa Senhora, pudesse, por intermédio da Mãe Intercessora, elevar a Deus suas orações. Antes de pronunciar-me as primeiras palavras, seus olhos lacrimejaram. Logo depois, respondendo ‘sim’ à minha pergunta, disse acrescentando: “Não sou só devota dela, sou filha. Minha mãe ‘me deu’ a Ela quando eu era pequena”. Estas palavras proferidas a mim, através daquela voz de gente vivida, que é aprazível ao coração, levaram-me a uma reflexão que partilhei com os amigos com quem andava naquela noite de domingo.

Refletíamos, na volta para casa, como encontramos pessoas, nessas andanças, com uma fé pura, tão simples, mas, ao mesmo tempo, grandiosa. Dona Ana talvez não conheça o magistério da Igreja, mas o fato de considerar-se uma filha dileta Imaculada Conceição, por quem é socorrida nas horas certas e, principalmente, incertas, já faz dela uma pessoa mais sábia que aqueles que se debruçam sobre os dogmas e doutrinas.

Ela dizia, em suas simples palavras, nunca ter sido desamparada por Nossa Senhora. Perguntei, então, qual graça já havia alcançado. Olhou para mim e, já sorrindo, respondeu: “Tudo! Tudo o que já pedi até hoje”. A partir de então, sorrimos juntos como pessoas que, em comum, sabem do amparo que conseguem no manto da Virgem Mãe de Deus.

Agradeci, claro, e com um abraço, despedi-me daquela senhora que mostrou-me o quanto Deus é simples; o quanto a humildade, na fé, é sinônimo de quem confia com uma única certeza: a de que não há desamparo nunca para aqueles que confiam.

Grato, eternamente, a Dona Ana por este momento.

Por: Fabrício Furtado, membro da Pastoral da Comunicação (Pascom) de Mauriti 

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar seu comentário

Redes Sociais

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!