A devoção a Frei Damião em Araripe

Festa para pedir e agradecer. Milhares de pessoas de Araripe e das cidades circunvizinhas participaram da Romaria de Frei Damião nesta segunda-feira (5).

Era perto das quatro da tarde quando uma leve chuva apareceu, abrandando um pouco a temperatura e surpreendendo os devotos que chegavam para a Missa campal. Um arco-íris cortando o céu da cidade também foi visto como “Sinal de Frei Damião”.

Com a imagem do frade capuchinho carregada por um vaqueiro, a procissão saiu da Igreja Matriz, no centro da cidade, em direção à Cruz do Monte, edificada pelo próprio sacerdote ao passar pelo município, em 1935.

A devoção manifestada em romaria começou um ano após a morte do sacerdote, de origem italiana, em 1998, quando sua memória encontrou lugar especial no coração do povo.

“Todos os anos nós estamos aqui, com muita fé no padrinho Damião”, disse a romeira Maria Nelsa Martins. “Eu era vizinha da casa paroquial e tive contato com ele. Era uma meiguice, uma fala mansa. E hoje eu estou aqui, de batina [marrom] pagando uma promessa de um enfarto que eu sofri. Quando eu comecei a sentir a dor, eu olhei pro céu e pra Cruz do Monte, da janela da minha sala, pedindo a Frei Damião pra me socorrer, porque as minhas filhas e os meus netos ainda precisavam de mim viva”, contou outra devota, a aposentada Olga Loiola Alencar.

Conhecido pelo dom de ouvir as pessoas, em confissão, os relatos dão conta de que Frei Damião sentava-se num pequeno banco de madeira, pousava as mãos sobre os joelhos e inclinava a cabeça, acolhendo de maneira muito calma e tranquila, os penitentes. E permanecia por horas a fio nessa posição, fazendo apenas pequenos intervalos para tomar um café muito forte, que o ajudava a manter-se atento e firme. Essa disponibilidade, no entanto, custou-lhe a própria saúde: uma sobrecarga no pescoço e na coluna.

“Ele esteve aqui em 1936. Depois, voltou em 1987, para fazer missão por dois anos seguidos. Aqui marcou um espaço, a Cruz do Monte, e a Capela dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Então a comunidade criou essa tradição de encerrar a festa de Nossa Senhora sempre no dia do nascimento de Frei Damião, no dia cinco de novembro, que, por sinal, hoje faz 120 anos”, explicou o pároco de Araripe, Padre Vileci Vidal.

A Romaria de Frei Damião também coincidiu com a conclusão do Ano Nacional dos Leigos na Forania V da Diocese de Crato. O bispo Dom Gilberto Pastana presidiu a Santa Missa, concelebrada pelos padres daquela região forânea. Participando pela primeira vez, elogiou a atitude do povo em conservar a tradição: “É bonito ver a fé do povo, escutar as manifestações de fé e ver tantas pessoas pagando promessa, participando.

Para saber mais:

Da Ordem dos Capuchinhos, Frei Damião nasceu na Itália há 120 anos. Ao chegar ao Brasil, instalou-se em Recife, partindo em missão Nordeste afora.

Quando falecera, em 1997, sua memória caiu no afeto do povo. Os inúmeros relatos de milagres e graças alcançadas levaram os irmãos frades a abrir processo, em 31 de janeiro de 2003, para reconhecê-lo santo. Quinze anos depois, o pedido teve parecer favorável na Comissão dos Teólogos. Agora aguarda apreciação na Comissão dos Bispos. A expectativa é de que, até o fim deste ano, tudo seja concluído, para então chegar às mãos do Papa Francisco. Obtendo sinal positivo, Frei Damião pode receber o título de “venerável”.

Enquanto a Igreja aguarda esse parecer, para eleva-lo a honra dos altares, o coração do povo, em profunda piedade e devoção, celebra sua vida e memória, de modo especial no dia cinco de novembro, data que marca o seu nascimento.

 

Texto: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

Fotos: Rozelia Costa/Colaboradora 

 

 

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