21º Domingo do Tempo Comum: “Servir e bendizer à Palavra que gera vida eterna”

Gostaria de refletir, de forma simples e muito sucinta, três aspectos da liturgia da palavra de hoje. Há bastante coisa a ser tratada, mas preferi falar sobre o serviço, sobre o bendizer perene e constante ao Senhor e sobre a Palavra, que a partir de questionamentos íntimos e profundos, chama-nos a perceber nela a perenidade eterna de vida.

£. Quanto a mim e à minha casa, nós serviremos ao Senhor (Js 24,15) – O serviço a Deus nunca pode ser tido como uma obrigação, mas como uma tarefa de liberdade e amor. O serviço tem que ser uma opção livre, porque surge do reconhecimento espontâneo de um coração que se viu agraciado por tantas maravilhas, bênçãos e graças. Porém, o que move a nossa liberdade é o amor assumido como atitude, não atos esporádicos, ou por acepção de pessoas, mas por um comportamento verdadeiro. Uma maneira de ser que assume forma, que tem gestos reais. Vida gestualizada em atos, proclamada em palavras. As palavras devem estar aliadas à vida. Apenas o amor nos define livremente. E conforme santo Agostinho: cada qual é o que seja o seu amor (Talis est unusquisque qualis eius dilectio est). O amor, para Jesus Cristo, transforma a existência humana ao penetra-la pela ação da graça presente na Palavra que, por sua vez, faz-se vida concreta.

£. Bendizer o Senhor em todo tempo para de todas as angustias libertar. O Senhor está perto do coração atribulado (Sl 33) – Vivemos no mundo da utilidade, do descartável e do imediato. E assim como são nossas relações com os que nos estão próximos, do mesmo jeito com Deus. Deus é útil quando se está precisando dele. Confunde-se a graça com necessidades materiais. A ação de Deus deve e tem que ser rápida e urgente, para agora! Bendizer é falar bem, não somente na bonança e abastança, mas na escassez e no sofrimento. Como assim? Agradecer a Deus pelo mal que nos ocorre? Não! É reconhecer que para além dos tormentos presentes, das dificuldades urticantes e de problemas graves e complicados existe um Deus que me ama, que se aproxima de mim, que vem ao meu encontro. Deus não é, exclusivamente, contudo, Aquele que pode curar. Deus é aquele que está comigo, ao meu lado como apoio e auxílio.

£. A quem iremos, Senhor? Tu tens palavra de vida eterna (Jo 6,68) – Pedro representa a autoridade de Cristo no mundo e que hoje tem continuidade por meio do ministério da Igreja. Autoridade como a de Jesus: vive o que prega e anuncia o que vive. A pergunta de Pedro (a quem iremos, Senhor?) não questiona a Jesus, mas ao próprio discípulo. O príncipe dos apóstolos pergunta a si mesmo se há alguma outra palavra tão viva e eficaz como a de Cristo. E mais. Manifesta a atitude de alguém que se investigou, profundamente, a si próprio acerca de sua fé e acolhimento da Palavra do Mestre. O mundo tem muitas palavras (ideologias, partidarismos, modismos) oferecidas aos homens e mulheres. Elas geram vida e embalam o coração de maneira imediata e fugaz. A palavra de Deus, todavia, exige paciência e confronto. Paciência para poder germinar e confronto por nos colocar diante de nós mesmos. A Palavra de Deus é dura para quem já está bem acomodado ao seu modo mentiroso e falso de ser e viver. E quem assim gosta de viver não suporta escutá-la.

Padre George de Brito, Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora  dos Milagres, Diocese de Crato. Mestre em Teologia Dogmática e especialista em Filosofia Contemporânea.

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