16º Domingo do Tempo Comum: “Jesus teve compaixão da numerosa multidão”

£. Domingo passado, Jesus enviou seus discípulos para pregar a Boa Nova e lhes fez uma série de recomendações. Disse-lhes que a missão, por mais bela que possa ser, traz em si alguns percalços pelo caminho. As complicações e as dificuldades sempre haverão de acontecer. Mas, diante disso, os apóstolos não devem levar consigo, como um peso às costas, os problemas encontrados pelo caminho. Sacudir a poeira dos pés significa deixar para traz tudo aquilo que foi feito contra nós (o mal) na missão assumida.

£. Os discípulos regressam a Jesus para lhe falar sobre a tarefa missionária. É o momento de prestar contas. Marcos não nos relata as alegrias dos discípulos ao se reencontrarem com o Mestre. A intenção do evangelista, agora, é mostrar o convite que o Homem de Nazaré faz: vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco. De início, não são os enviados que pedem um repouso; Jesus, porém, é quem os convida para repousarem com ele. O descanso, para a mentalidade judaica, é instante cedidos a também estar com Deus. Diríamos hoje que a diversão deve ser assistida e compartilhada com Deus. Algumas pessoas, no entanto, parecem se comprazer em excluir a Deus das ocasiões em que buscam se divertir. Por quê? O que acontece aí?

£. Outra constatação do Cristo: viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Jesus tem um olhar compassivo, terno e amável. Diante das pessoas, a reação dele era sempre esta. Ele nunca era, de forma nenhuma, indiferente aos sofrimentos, às fadigas e aos suores nem de homens nem de mulheres. E isso imprimiu na primeira comunidade cristã uma impressão muito sólida e impressionante. Quem ama, sempre se antecipa! O senhor viu a grande massa de gente desorientada e abandonada pelos primeiros responsáveis. E buscou lhes ensinar e guiar. O evangelho tem dimensão social. Jesus não se preocupa apenas com os indivíduos, em parte, sujeitos de suas vidas. Mas procura ver o conjunto, o todo. O que não se pode é politizar (fazer partidarismo) da Palavra de Deus.

£. Na grande massa de pessoas Jesus encontra rostos distintos, cada um com uma necessidade própria. Se se olha apenas a enorme multidão, pode-se cair na generalização impessoal e, com isso, fazendo surgir a despersonalização de pessoas, de histórias de vida particular. Naquele grande ajuntamento de seres humanos o Senhor percebeu muitas ovelhas feridas, machucadas, sem sentido na sua existência, desorientadas, sem esperança, depauperados na fé, no amor. Infelizmente, muitos cristãos pouco se preocupam com essas ovelhas. Os seus interesses estão atados à busca de etiquetar seus outros irmãos e irmãs de ser comunista ou de liberal, de inovadores ou mundanos, e de querer definir quem é fiel ou não à tradição, aos dogmas, à igreja (pense na hierarquia). Enquanto isso, demasiadas são as ovelhas que vivem, ainda, sem pastores.

£. Cabe a cada cristão e cristã, pois nós somos a Igreja, cada um é pedra vida desse grande edifício espiritual, apresentar o rosto de Jesus que, manifestando compaixão, sente misericórdia e que favorece o perdão e paz entre todos. Há, no mundo, muita gente sofrendo por causa de vício insuperável. Quem poderá ajuda-la? Na realidade cotidiana se pode achar homens e mulheres desejosos de reativarem a fé. Com quem vão contar? Vivemos em um tempo, de maneira geral, de exacerbada indiferença, trocamos o olhar nos olhos, pelo brilho de uma tela de celular, de tablet ou computador. Como reavivar a chama da compaixão? Como apreender e aprender a olhar como Jesus, com compaixão?

Por Padre George de Brito, Licenciado em Filosofia e Teologia, tem mestrado em Teologia Dogmática e é Vigário Paroquial da Paroquia Nossa Senhora dos Milagres, em Milagres – Ceará.

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